Após a assinatura de um acordo entre os Estados Unidos e o Irã, a circulação comercial pelo Estreito de Ormuz foi gradualmente retomada. Monitores de tráfego marítimo registraram a passagem de sete embarcações que estavam retidas há mais de 100 dias. As primeiras travessias ocorreram logo após o acordo firmado na quarta-feira, 17, entre o presidente Donald Trump e o governo iraniano.
Entre os navios que passaram pelo estreito, cinco eram da China, um da França e outro da Itália. O ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, confirmou que o navio Grande Torino, do Grupo Grimaldi, foi uma das primeiras embarcações a realizar a travessia após o entendimento entre Washington e Teerã. Em suas redes sociais, Tajani expressou otimismo com a situação, destacando a importância da retomada do tráfego para os marinheiros e suas famílias na Itália.
Além disso, na quinta-feira, 18, três superpetroleiros com bandeira da Arábia Saudita, que carregam em conjunto aproximadamente 6 milhões de barris de petróleo, também cruzaram o Estreito de Ormuz, logo após o acordo entre Trump e o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian. Essa passagem é vital, pois o Estreito de Ormuz conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Mar da Arábia, sendo uma rota essencial para o transporte de parte significativa da produção energética do Oriente Médio.
Apesar da retomada do tráfego, especialistas do setor marítimo alertam que a normalização completa pode ocorrer de forma lenta. Relatórios de inteligência marítima indicam que o fluxo de embarcações ainda se encontra abaixo dos níveis registrados antes do início da guerra, que teve início em fevereiro. Os operadores permanecem cautelosos, considerando os riscos operacionais na região.
O acordo entre Washington e Teerã estabeleceu um período de 60 dias para negociações que visam um entendimento definitivo de paz. O memorando assinado prevê a interrupção imediata e permanente das operações militares em todas as frentes, incluindo o Líbano, embora Israel tenha sinalizado que não retirará suas forças do sul do país. Trump ressaltou que os Estados Unidos esperam um "cessar-fogo completo em todas as frentes" e pediu que todos os envolvidos no Oriente Médio mantenham seus compromissos durante as negociações. A reabertura do Estreito de Ormuz representa um dos primeiros impactos práticos do acordo firmado entre as duas nações.




