O relatório final do Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos) sobre a queda do voo 2283 da Voepass, que resultou na morte de 62 pessoas em Vinhedo, São Paulo, em 9 de agosto de 2024, apontou 19 fatores que contribuíram para a tragédia. O documento, apresentado em 23 de outubro de 2024, destacou deficiências na manutenção da aeronave, decisões inadequadas da tripulação, condições meteorológicas desfavoráveis, problemas na cultura de segurança da empresa e falhas na fiscalização da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil).
O avião, um ATR 72-500, decolou de Cascavel, no Paraná, com destino a Guarulhos, em São Paulo. Durante o voo, a aeronave perdeu o controle e caiu em um condomínio residencial. Entre os 58 passageiros e quatro tripulantes que não sobreviveram ao acidente, estavam o policial rodoviário federal Hiales Carpine Fodra e sua esposa, Daniela Schulz Fodra. Também faleceram a fisioterapeuta Kharine Gavlik Pessoa Zini, formada pela Uniderp em Campo Grande em 2001, e Laiana Vasata, vinculada ao grupo empresarial Bigolin, que atuou na capital por 30 anos.
De acordo com o tenente-coronel aviador Paulo Mendes Fróes, chefe da Seção de Investigação do Cenipa, a primeira falha no sistema de degelo da aeronave ocorreu na noite anterior ao acidente, durante um voo entre Guarulhos e Ribeirão Preto. A aeronave apresentava condições propícias para a formação de gelo, e o sistema Airframe De-Icing, responsável por remover o gelo acumulado, falhou. Os pilotos tentaram reinicializar o equipamento três vezes, embora o manual do fabricante e as regras da empresa permitissem apenas uma tentativa.
Além disso, o relatório identificou dois fatores indeterminados, relacionados ao estado emocional da tripulação e a possíveis influências externas, que não puderam ser confirmados. O Cenipa enfatizou que a finalidade do relatório é preventiva, visando não estabelecer responsabilidades criminais ou civis, mas sim identificar vulnerabilidades e evitar novos acidentes.
Uma investigação paralela está sendo realizada pela Polícia Federal, que examina possíveis crimes relacionados à operação e manutenção da aeronave. O especialista em investigação de acidentes aeronáuticos Silvio Monteiro Júnior comparou o trabalho dos investigadores a montar um quebra-cabeça complexo, onde a tarefa é reconstruir os eventos que levaram o avião a uma situação de emergência até o impacto no solo.




