É comum que homens busquem atendimento médico relatando a queixa de diminuição da libido. Apesar de parecer um problema simples, essa redução do desejo sexual pode ter múltiplas causas, exigindo uma investigação detalhada antes de qualquer intervenção terapêutica.
É importante distinguir entre libido e função erétil, pois muitos homens podem ter desejo sexual preservado, mas enfrentam dificuldades para obter ou manter a ereção. Por outro lado, há aqueles que apresentam ereções normais, mas perderam o interesse por sexo. Também existem casos em que o indivíduo convive com a redução da libido e disfunção erétil simultaneamente. Essa diferenciação é crucial, uma vez que os mecanismos que regem o desejo sexual e a ereção são distintos e, frequentemente, suas causas também o são.
Outro equívoco comum é atribuir toda diminuição da libido a baixos níveis de testosterona. Embora esse hormônio tenha relevância, ele é apenas uma parte do quadro a ser investigado. Para compreender melhor a causa da queda da libido, diversos exames podem ser solicitados, sendo que a escolha deles varia conforme a história clínica do paciente, sua idade, sintomas e resultados do exame físico.
Dentre os exames mais relevantes estão a avaliação da testosterona livre e da globulina ligadora de hormônios sexuais (SHBG). A testosterona livre é a fração biologicamente ativa do hormônio, e sua interpretação em conjunto com a SHBG proporciona uma análise mais acurada do estado hormonal do paciente. Outro exame importante é o dos níveis de estradiol, que, apesar de ser considerado um hormônio feminino, desempenha funções significativas também no organismo masculino. Alterações nos níveis de estradiol podem afetar o equilíbrio hormonal e, consequentemente, o desejo sexual.
A prolactina é outro hormônio que merece atenção, pois níveis elevados podem levar à redução da libido e disfunção erétil, além de indicar possíveis alterações na hipófise que necessitam de investigação mais aprofundada. Os hormônios luteinizante (LH) e folículo-estimulante (FSH) são essenciais para identificar se uma eventual deficiência de testosterona se origina nos testículos ou na hipófise, o que altera a abordagem terapêutica.
Além dos exames hormonais, o ultrassom testicular pode ser solicitado para investigar condições que afetem a saúde testicular. A reposição de testosterona pode ser benéfica para pacientes com deficiência comprovada e sintomas que justifiquem essa intervenção. No entanto, seu uso inadequado pode resultar em consequências adversas, como a redução da produção natural do hormônio, comprometimento da fertilidade e dificuldades no diagnóstico de outras condições.




