Endrel Sixtro Ferreira, de 23 anos, foi condenado a 14 anos e 8 meses de reclusão em regime fechado pelo assassinato do cigarreiro Ezequiel Euzebio Olegário Marques, de 32 anos. O julgamento ocorreu em Campo Grande na quinta-feira, 30 de março de 2023, mais de um ano após o crime, registrado por câmeras de segurança no Jardim Monte Alegre.
De acordo com a denúncia do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), Endrel atraiu Ezequiel para uma falsa reconciliação e o executou a tiros enquanto a vítima estava ao volante do carro. O encontro foi marcado na Rua Pentecoste para resolver desavenças antigas, mas após uma breve conversa, a situação se descontrolou. Endrel deixou o veículo, sacou uma pistola e disparou contra Ezequiel, que não teve como se defender.
O MPMS argumentou que o homicídio foi cometido com recurso que dificultou a defesa da vítima, uma vez que os disparos ocorreram enquanto Ezequiel ainda dirigia e acreditava que estava participando de uma tentativa de reconciliação. Além disso, a acusação acrescentou a qualificadora de emprego de meio que resultou em perigo comum, já que os tiros foram disparados em uma via pública, potencialmente colocando outras pessoas em risco.
Além da condenação por homicídio qualificado, Endrel também foi sentenciado por porte ilegal de arma de fogo. A investigação revelou que ele confessou ter adquirido a pistola antes do crime e que, após a execução, se desfez da arma ao entregá-la a terceiros não identificados. Endrel foi preso no dia seguinte ao assassinato e admitiu à Polícia Civil que havia cometido o crime em razão de desavenças ligadas ao tráfico de drogas, alegando que Ezequiel havia desaparecido com cerca de 80 quilos de pasta-base de cocaína.
Durante a apuração, foram encontradas mensagens de áudio enviadas por Endrel a um conhecido, nas quais ele expressava a crença de que uma árvore próxima ao local do crime poderia ocultar sua fuga das câmeras de segurança. "Eu pensei que a árvore ia tampar", afirmou. As imagens de monitoramento mostram o momento em que Endrel desce do carro, caminha até uma residência e, ao retornar, efetua os disparos contra Ezequiel, que morre ainda dentro do veículo. Após o crime, o autor fugiu correndo pela rua.
Ezequiel Euzebio Olegário Marques era integrante da chamada "Máfia dos Cigarreiros", um grupo que foi alvo de investigações em 2018, relacionadas a contrabando de cigarros com a participação de policiais militares. O cigarreiro tinha condenações na Justiça Federal por descaminho e contrabando, além de antecedentes criminais por transporte ilegal de cargas de cigarros em Mato Grosso do Sul.




