O acidente na usina de Chernobyl, ocorrido há 40 anos, em 26 de abril de 1986, ainda ecoa mundialmente como a maior tragédia em uma instalação nuclear. Na madrugada daquele dia, uma explosão no reator número 4 da usina, situada na então União Soviética, hoje Ucrânia, liberou na atmosfera cerca de 200 toneladas de material radioativo. Essa liberação foi equivalente a uma força entre 100 e 500 bombas atômicas de Hiroshima.
As consequências do desastre foram devastadoras, resultando na contaminação de extensas áreas nos territórios da Ucrânia, Belarus e Rússia. O impacto do acidente gerou uma onda de preocupação na Europa, levando à reflexão sobre os perigos dos desastres nucleares, que se estendem além das fronteiras nacionais.
Oleksandr Ryabeka, um veterano de 66 anos que trabalhou na região como parte do KGB, refletiu sobre o desafio enfrentado durante a crise. Ele mencionou que, ao contrário dos combates visíveis da atual guerra entre Rússia e Ucrânia, na época do acidente a luta era contra um inimigo invisível, gerando um sentimento de impotência: “Hoje vemos o inimigo. Podemos atirar nele, lançar bombas nele. Naquela época, só podíamos receber seus golpes em silêncio”, afirmou.
Viktor Bezruchko, também veterano das operações de emergência na área, descartou a ideia de revisitar Chernobyl após quatro décadas. Ele recordou a época com a visão de que era um trabalho designado pelo governo soviético, sem espaço para o medo: “Era simplesmente trabalho. Talvez um certo alarme, uma certa preocupação com o que aconteceria depois de trabalhar na zona de radiação. Mas fizemos nosso trabalho, isso foi tudo”, relatou.
A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) estima que aproximadamente 4.000 pessoas tenham perdido a vida devido ao acidente, com entre 30 e 50 contaminadas diretamente. A explosão resultou em uma nuvem de partículas radioativas que se espalhou pelo norte e oeste da Europa, chegando até o leste dos Estados Unidos.
Na ocasião do acidente, o governo ucraniano acusou a Rússia de ter utilizado um drone para atacar a usina, uma alegação que foi prontamente negada pelo Kremlin. Após a inspeção da ONU, foi determinado que não houve danos permanentes nas estruturas de suporte, nem no sistema de monitoramento, e os níveis de radiação mantiveram-se estáveis, sem registros de vazamentos.




