O jogo entre Brasil e Japão, parte da fase de mata-mata da Copa do Mundo, mobilizou muitos torcedores, mas também evidenciou a prioridade dada à saúde por parte de pacientes nas unidades de pronto atendimento em Campo Grande. Em um dia marcado por emoções, a reportagem esteve presente em duas dessas unidades, onde cerca de 60 pessoas aguardavam atendimento e relataram suas experiências durante a partida.
Na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Universitária, a movimentação era moderada, com algumas cadeiras vazias na recepção. Entre os que aguardavam, estava Francisco Everton Carvalho, de 27 anos, que se machucou na perna enquanto se dirigia ao trabalho no setor de silvicultura. Ele chegou por volta das 10h, mas ainda não havia sido chamado até às 14h. Francisco optou por não acompanhar o jogo, afirmando que a saúde é mais importante. "Vim ver como ela está. Para mim, tudo bem perder a partida. A saúde vem em primeiro lugar", declarou.
Outra paciente na UPA Universitária, a administradora Deise Martins, de 46 anos, estava à espera de uma avaliação para o pé que torceu enquanto trabalhava. Deise acionou o Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) e ressaltou a rapidez do atendimento. "Eu nem estava assistindo ao jogo", afirmou, mencionando que tinha que trabalhar e não poderia se liberar para assistir ao jogo do Brasil.
No Pronto Atendimento Pediátrico (PAI) do CRS (Centro Regional de Saúde) Tiradentes, a situação era um pouco diferente. Crianças uniformizadas para torcer pela seleção estavam presentes, mas não puderam acompanhar a partida. Alan Pereira do Nascimento, de 22 anos, funcionário de um supermercado, foi liberado do trabalho para assistir ao jogo, porém precisou ir à UPA para acompanhar a filha. "Ela acabou de ser atendida pelo pediatra. É um olho no jogo e outro na minha filha. Ela é a prioridade", comentou Alan, que ficou do lado de fora do consultório enquanto assistia ao jogo.
O cenário nas unidades de saúde de Campo Grande reflete uma escolha consciente dos cidadãos, que, mesmo em um momento de celebração nacional, colocaram suas necessidades de saúde em primeiro plano. Além disso, um decreto municipal garante que as unidades de pronto atendimento e os postos de saúde permaneçam abertos nos dias em que a seleção brasileira joga na Copa do Mundo.




