A Oncoclínicas está em um momento delicado em sua reestruturação financeira. Com a aproximação do vencimento da medida cautelar obtida em abril, que suspendia cobranças e protegia a empresa de ações de credores, o mercado está atento aos próximos passos da companhia. A medida vence nesta terça-feira (16) e, desde o início do ano, as ações da Oncoclínicas caíram 55,72%, com uma perda de 1,64% apenas na última segunda-feira.
Fontes próximas à empresa indicam que a estratégia da Oncoclínicas é priorizar as negociações com seus principais credores antes de protocolar qualquer pedido de recuperação extrajudicial. A expectativa é que a recuperação tenha maiores chances de sucesso se for respaldada por acordos já estabelecidos entre a empresa e os detentores de sua dívida, que é expressiva.
O vencimento da medida cautelar, embora tenha gerado especulações no mercado, não é considerado um fator determinante para a formalização da recuperação extrajudicial neste momento. Interlocutores envolvidos nas negociações afirmam que as tratativas estão em andamento e que ainda não há nenhuma definição concreta sobre o futuro da empresa.
Na última sexta-feira, um movimento significativo ocorreu nos bastidores. A Journey Capital, junto ao escritório Felsberg Advogados, foi contratada para representar os detentores de Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) da Oncoclínicas, que representam a maior parte da dívida da empresa. Esse passo pode influenciar as negociações em curso e os próximos movimentos da reestruturação financeira.
A Oncoclínicas enfrenta sua maior crise financeira, com um prejuízo de R$ 3,67 bilhões registrado em 2025 e uma dívida financeira próxima de R$ 3,2 bilhões. A companhia também descumpriu indicadores financeiros previstos em contratos, apresentando uma alavancagem de 4,3 vezes o Ebitda, acima do limite de 3,5 vezes estabelecido em acordos de dívida.
Recentemente, a empresa comunicou ao mercado que a possibilidade de uma recuperação extrajudicial continua a ser avaliada nas discussões com credores. A crise financeira também impactou a operação, com relatos de pacientes sobre interrupções em atendimentos e tratamentos devido à dificuldade no fornecimento de medicamentos. A Oncoclínicas afirmou que está trabalhando para normalizar os serviços prestados.




