O presidente de El Salvador, Nayib Bukele, completou em junho dois anos de seu segundo mandato, período em que suas políticas de segurança conquistaram alta popularidade devido à drástica redução do número de homicídios no país. Essa abordagem atraiu a atenção de governos de direita ao redor do mundo, que veem em suas ações um modelo a ser seguido.
Após intensas operações contra gangues que dominavam diversas regiões e impunham a violência como regra, Bukele anunciou que focará agora em um novo desafio: a corrupção. Em um discurso proferido na inauguração da nova sede da Procuradoria-Geral de San Salvador, no final de maio, o presidente destacou a necessidade de combater não apenas o crime organizado, mas também fraudes, contrabando e sonegação fiscal, afirmando que esses problemas ainda persistem no país.
A política de tolerância zero às gangues, conhecidas como Maras, que controlavam cerca de 80% do território salvadorenho, foi um dos pilares que consolidaram a popularidade do governo Bukele. Em 2022, o presidente inaugurou o Centro de Confinamento do Terrorismo (Cecot), que é considerado o maior presídio das Américas, com capacidade para até 40 mil detentos, destinado especialmente a membros de gangues.
Entretanto, a administração de Bukele enfrenta críticas de opositores políticos, que apontam uma crescente falta de transparência e um desequilíbrio democrático, caracterizado pela concentração de poder no governo e entre seus aliados. Apesar de sua nova ênfase no combate à corrupção, Bukele já havia tomado medidas nesse sentido no ano anterior, ao enviar um projeto de lei à Assembleia Legislativa que visa estabelecer uma Lei Anticorrupção, considerada pelo presidente como um passo decisivo na luta contra esse problema.
As propostas englobam a exigência de declarações patrimoniais anuais de servidores públicos e seus familiares, além do endurecimento das penas para crimes de corrupção. Bukele também comparou as gangues de El Salvador a facções brasileiras, como o PCC e o Comando Vermelho, ressaltando que, embora as gangues salvadorenhas tenham forte presença comunitária, não possuem a complexidade das redes criminosas brasileiras.
No entanto, a replicação do modelo de Bukele em outros países, como o Brasil, enfrenta desafios institucionais. A estrutura federativa brasileira, com polícias estaduais, um sistema prisional fragmentado e um Judiciário autônomo, torna a implementação de uma política de exceção semelhante à de El Salvador juridicamente difícil e politicamente arriscada. A situação atual exige um equilíbrio entre segurança e direitos democráticos, um aspecto que tem gerado debates acalorados na região.




