Uma equipe de Pesquisadores da Embrapa Instrumentação, em São Paulo, e da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) criou uma tecnologia que combina fertilizante mineral e um agente biológico em uma única formulação. Essa inovação permite a aplicação simultânea de ambos, utilizando um revestimento biodegradável que protege o fungo Trichoderma harzianum, um microrganismo benéfico amplamente utilizado na agricultura como bioinsumo.
O Trichoderma harzianum, conhecido por seu grande potencial agrícola, é suscetível a condições ambientais adversas. O novo revestimento desenvolvido garante a viabilidade do microrganismo durante o armazenamento e promove sua liberação gradual no solo após a aplicação, o que aumenta a eficácia do fungo no campo.
Além de preservar o fungo, a tecnologia permite a união de insumos que antes eram incompatíveis, resultando em uma aplicação mais eficiente e contribuindo para a redução de desperdícios, além de diminuir as emissões de gases de efeito estufa associadas à atividade agrícola.
As pesquisadoras Cristiane Sanchez Farinas, coordenadora do estudo na Embrapa Instrumentação, Aline Medeiro Ferreira e Mariana Govoni Brondi, trabalharam na encapsulação do fungo em uma matriz polimérica biodegradável à base de celulose. Essa matriz age como uma base, permitindo a preservação dos esporos do fungo, que mantiveram alta taxa de sobrevivência após três meses armazenados em temperatura ambiente. Em comparação, métodos tradicionais, como soluções açucaradas, mostraram perda significativa de eficácia ao longo do tempo.
Os grânulos de fosfato monoamônico (MAP) cobertos com a matriz polimérica demonstraram crescimento fúngico consistente mesmo após 30 dias de armazenamento. Essa abordagem não apenas melhora a viabilidade do fungo, mas também garante que os nutrientes do fertilizante permaneçam disponíveis por mais tempo, reduzindo a necessidade de reaplicações e os custos para os agricultores.
A utilização de inoculantes microbianos pode representar uma alternativa viável ao uso intensivo de fertilizantes químicos. No entanto, sua eficácia no campo depende de inovações tecnológicas que assegurem o desempenho desejado. Cristiane Sanchez Farinas destaca que a carboximetilcelulose, utilizada no revestimento, é um material acessível e amplamente disponível, enquanto os nanocristais de celulose podem ser obtidos a partir de resíduos agrícolas, alinhando-se aos princípios da bioeconomia circular.




