A desistência de Nelsinho Trad (PSD) à reeleição para o Senado, optando pela primeira suplência de Reinaldo Azambuja (PL), foi considerada uma decisão difícil, mas que fortalece o grupo político ao qual pertence. Esse é o consenso entre os políticos aliados, que destacam a importância do coletivo em detrimento de iniciativas individuais. A avaliação foi feita durante uma mega-convenção realizada neste sábado (1º), no Bairro Cidade Jardim, em Campo Grande, onde foram confirmadas as candidaturas à reeleição do governador Eduardo Riedel (PP) e do grupo formado por PL, PP, União Brasil, PSDB, MDB, Podemos e Republicanos.
Gerson Claro (PP), presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, afirmou que a trajetória política de Nelsinho e a impossibilidade de acomodar três candidaturas ao Senado na mesma coligação influenciaram sua escolha. Ele ressaltou que, embora Nelsinho pudesse ter optado por uma candidatura separada, sua decisão de permanecer com o grupo que apoia Riedel demonstra um compromisso com um projeto político mais amplo. Claro destacou: "O coletivo é mais importante do que o individual. Não podemos fazer política olhando para o umbigo e achando que, sozinhos, construímos alguma coisa".
A decisão de Nelsinho Trad é comparada por Claro a momentos que ele mesmo já enfrentou, ao desistir de uma candidatura ao Senado. O deputado estadual Pedro Caravina (PSDB) também comentou sobre a escolha, considerando-a pessoal, mas com reflexos diretos para a aliança. Ele observou que, dada a proximidade política de Nelsinho com o grupo de Riedel, a manutenção de uma campanha isolada seria desafiadora. "Foi uma decisão difícil, ele mesmo falou isso, mas acho que foi uma decisão acertada. Campanha política você não consegue fazer individualmente, tem que fazer com o grupo", afirmou Caravina.
Os aliados reconhecem que a legislação eleitoral criou um cenário onde a candidatura de Nelsinho não poderia ser sustentada em paralelo à de Capitão Contar. A construção do acordo ocorreu após a percepção de que não haveria espaço para três candidatos ao Senado na mesma coligação. Com isso, aceitar a suplência permitiu que Nelsinho mantivesse o PSD alinhado ao grupo governista, evitando divisões entre aliados.
Esse movimento encerrou um dos principais impasses na formação da chapa majoritária. O mandato de Nelsinho Trad se encerra em fevereiro de 2027, e ele se comprometeu a continuar exercendo sua função até o final. Ele apresentou sua decisão como uma forma de preservar a unidade política em torno do atual governador.
O ex-governador André Puccinelli (MDB) foi mais cauteloso em suas considerações, expressando surpresa diante da mudança. "A única coisa que posso dizer agora, até cair a ficha, é que fiquei muito surpreso. Ainda não caiu a minha ficha. Fiquei surpreso, fiquei estarrecido", afirmou Puccinelli, refletindo sobre a importância da decisão de Nelsinho para o cenário político atual.




