Uma pesquisa inovadora realizada por cientistas da Embrapa, em colaboração com instituições parceiras, revelou uma nova abordagem para rastrear a origem do pescado no Brasil. Através de uma "impressão digital química" da tainha brasileira (Mugil liza), a técnica permite determinar a procedência geográfica do peixe por meio de pequenas moléculas presentes em seu músculo. Essa descoberta é um avanço significativo para a rastreabilidade e valorização dos produtos pesqueiros no país.
Os achados da pesquisa foram publicados no artigo intitulado Application of Magnetic Resonance Tools for Qualification and Traceability of Mullets, no periódico científico internacional Fishes. Os responsáveis pelo estudo são Fabíola Fogaça, da Embrapa Agroindústria de Alimentos, e Luiz Colnago, da Embrapa Instrumentação, ambos trabalhando em parceria com pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). O projeto contou com o apoio da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj).
A pesquisa utilizou a técnica de espectroscopia por Ressonância Magnética Nuclear de Hidrogênio (RMN de ¹H), que funciona como um "raio-X" químico para identificar a posição dos átomos de hidrogênio. Essa técnica foi combinada à metabolômica, que estuda os metabólitos produzidos pelo organismo em reações químicas cotidianas. Essa combinação possibilitou a identificação de biomarcadores químicos que diferenciam tainhas capturadas em três locais distintos do Brasil, revelando variações na composição do músculo em função de fatores ambientais, como salinidade e alimentação.
A pesquisadora Fabíola Fogaça destacou a relevância da pesquisa para a área de ciência de alimentos e para a cadeia produtiva do pescado. Ela comentou que a identificação da origem geográfica da tainha por meio de um perfil metabólico específico fornece uma ferramenta inovadora para autenticação e rastreabilidade do pescado. Isso pode fortalecer a segurança alimentar e aumentar o valor de mercado dos produtos.
Luiz Colnago, que possui mais de 30 anos de experiência em Ressonância Magnética Nuclear, ressaltou que a técnica pode ter um impacto significativo no combate à adulteração geográfica e à comercialização irregular de espécies. Ele enfatizou que a identificação precisa da procedência dos peixes ajuda a proteger os consumidores e valoriza produtos regionais.
Além disso, o estudo incorporou ferramentas de inteligência artificial para análise e organização dos dados. Colnago observou que a integração entre metabolômica, ressonância magnética e inteligência artificial demonstra como diferentes áreas da ciência podem colaborar na produção de conhecimento aplicável à segurança alimentar.




