Em agosto do ano anterior, durante um encontro no Alasca com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, Donald Trump parecia ter uma visão pessimista em relação à Ucrânia, considerando-a uma perdedora na guerra. Na ocasião, o presidente americano chegou a exigir que Kiev reduzisse suas forças armadas e cedesse territórios que não haviam sido conquistados pelos invasores russos. Contudo, quase um ano depois, essa perspectiva começou a se alterar, refletindo um novo panorama para o conflito.
A Ucrânia tem realizado ataques bem-sucedidos contra alvos russos, alcançando cidades como São Petersburgo e até mesmo Moscou. Essas operações têm comprometido a capacidade de produção e exportação de petróleo da Rússia, que enfrenta também dificuldades para repor as perdas humanas no campo de batalha, de acordo com informações de analistas.
Dados do Instituto para o Estudo da Guerra (ISW) indicam que a Ucrânia tem conseguido ganhos territoriais significativos. Entre dezembro e maio, as forças russas ocuparam uma área de 40,64 quilômetros quadrados, mas perderam 281,1 quilômetros quadrados no mesmo período, mostrando uma dinâmica de guerra em favor da Ucrânia.
Em entrevista à emissora France 2, após a cúpula do G7 na França em junho, o presidente francês, Emmanuel Macron, comentou sobre essa mudança de perspectiva de Trump. Ele destacou que, ao chegar à cúpula no Alasca, Trump acreditava que a Ucrânia estava fadada à derrota e buscava um acordo de paz rápido. Macron lembrou que, em janeiro e fevereiro de 2025, Trump teve uma interação tensa com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, onde expressou descontentamento e até o expulsou da Casa Branca.
Macron enfatizou que muitos eventos ocorreram desde então, ressaltando os recentes sucessos das forças ucranianas. O especialista Silva Gomes Filho mencionou que a evolução da guerra, que inicialmente era vista como uma operação rápida, agora impacta diretamente a vida cotidiana na Rússia, com bombardeios ucranianos alcançando grandes cidades russas.
Gomes Filho também questionou a disposição de Putin para negociar, afirmando que o presidente russo não se mostraria aberto a conversas em uma posição de fraqueza, dada a situação interna do país. Ele observou que a guerra, que começou com a ideia de ser concluída em semanas, trouxe dificuldades ao cotidiano da população russa, o que pode afetar a posição de Putin no governo.




