Após a seleção do júri na semana passada, o tribunal dará início a seis semanas de audiências que analisarão o caso. A Meta, sob a liderança de Mark Zuckerberg, aparece sozinha nesta ação, que segue o histórico de duas condenações em tribunais estaduais em Los Angeles e no Novo México, contra as quais já recorreu. Os estados que estão processando a empresa reivindicam sanções que, em um cálculo preliminar, chegam a cerca de 193 bilhões de dólares (mais de um trilhão de reais).
Os procuradores-gerais da Califórnia, do Colorado, de Kentucky e de Nova Jersey lideram a ação, desmentindo um pedido feito pela Meta que estimava as sanções em 1,4 trilhão de dólares (7,28 trilhões de reais), acusando a empresa de tentar causar alarde. Além das sanções financeiras, os estados solicitam a implementação de configurações de proteção mais rigorosas para menores, abrangendo desde o tempo de uso até as notificações, impossibilitando alterações por parte dos jovens.
As acusações contra a Meta se baseiam em três principais teses. A primeira é que a empresa teria enganado o público sobre os riscos associados ao uso de seus aplicativos por adolescentes. Em segundo lugar, a Meta é acusada de ter criado funcionalidades que incentivam a retenção dos usuários, como filtros de aparência e ferramentas de limitação de tempo que podem ser facilmente burladas. Por fim, a coleta de dados de crianças menores de 13 anos sem o consentimento dos responsáveis é outra acusação que viola uma lei federal.
Arturo Béjar, um ex-engenheiro da Meta, está entre as testemunhas que o júri ouvirá, e sua participação foi considerada relevante pela juíza, que rejeitou tentativas de impedir seu depoimento. A empresa, que afirma contar com cerca de 3,6 bilhões de usuários em suas plataformas, registra lucros significativos que sustentam seus investimentos em inteligência artificial.
Um porta-voz da Meta declarou que a empresa discorda das acusações e acredita que as provas apresentarão seu compromisso com a segurança dos jovens. Nora Freeman Engstrom, professora de direito em Stanford, destacou que um dos principais desafios do processo será avaliar a discrepância entre o conhecimento da Meta sobre seus produtos e as informações que a empresa divulgou ao público. Para Vincent Joralemon, jurista na Universidade de Berkeley, a principal preocupação para a Meta é o possível dano à sua reputação e a necessidade de alterar seus produtos.




