Mato Grosso do Sul se destacou com a 10ª maior alta do país na taxa de mortes decorrentes de intervenções policiais, conforme revelado pelo 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, que será divulgado nesta quinta-feira (23). A taxa no Estado cresceu 11,1% entre os anos de 2024 e 2025, o que é mais que o dobro da variação nacional, que foi de 5,4%. O número de mortes passou de 67 em 2024 para 75 em 2025, colocando o estado atrás apenas de Rondônia, Maranhão, Alagoas, Rio Grande do Norte, Sergipe, Pernambuco, Santa Catarina, Paraná e Rio de Janeiro.
Embora o Brasil tenha observado uma tendência de redução nas Mortes Violentas Intencionais (MVI), a letalidade policial em Mato Grosso do Sul seguiu uma trajetória oposta, alcançando o maior índice desde o início da série histórica em 2016. Foram registradas 6.602 mortes decorrentes de intervenções das polícias Civil e Militar em 2025, o que representa um aumento de 5,4% em relação ao ano anterior. Essas ocorrências passaram a corresponder a 16,2% de todas as Mortes Violentas Intencionais do país, um recorde desde que o conceito de MVI foi introduzido em 2014.
Os dados apontam um crescimento acumulado de 55,7% nas mortes decorrentes de intervenções policiais entre 2016 e 2025. A situação em 2026 já aponta para uma intensificação da violência, com um levantamento do Campo Grande News indicando que, até o dia 22 de julho, o Estado contabilizava 85 mortes em ações das forças de segurança, superando as 75 registradas durante todo o ano anterior, o que representa um aumento de 13,3%.
A tendência de aumento nas mortes por intervenção policial pode caracterizar 2026 como um ano marcado pela violência extrema, impulsionada tanto pelo crescimento do crime organizado quanto pela resposta estatal a esse fenômeno, que adota uma postura mais agressiva no combate ao crime. A análise dos dados ressalta que, enquanto os homicídios no Brasil diminuem, a letalidade policial continua a aumentar em Mato Grosso do Sul, refletindo uma complexa dinâmica de enfrentamento que não se limita apenas à luta contra o crime, mas também à fragilidade nos mecanismos de controle sobre o uso da força.
Investigações envolvendo policiais e agentes públicos em diversas unidades da Federação evidenciam a infiltração do crime organizado nas estruturas do Estado, comprometendo a eficácia das políticas de segurança e a legitimidade do próprio governo. O Fórum Brasileiro de Segurança Pública sugere que a redução da letalidade policial depende mais da melhoria na aplicação dos métodos de controle do que do aumento da força coercitiva. Entre as recomendações estão o fortalecimento dos mecanismos de controle interno e externo, aumento da transparência, adoção de câmeras corporais, e maior integração entre órgãos de investigação patrimonial e financeira. O texto também menciona que as determinações do Supremo Tribunal Federal para ampliar o controle sobre as ações policiais no Rio de Janeiro ainda não foram totalmente implementadas.




