O Governo de Mato Grosso do Sul formalizou um pedido à União para a adoção de incentivos financeiros no projeto de concessão da Malha Oeste, com o objetivo de atrair investidores para o leilão da ferrovia. O governador Eduardo Riedel apresentou a solicitação diretamente ao Ministério dos Transportes, e o secretário de Governo e Gestão Estratégica, Rodrigo Perez, informou que a proposta aguarda avaliação.
Atualmente, o modelo de concessão contempla incentivos apenas para trechos localizados no Estado de São Paulo. A malha ferroviária, que se encontra em estado de deterioração, requer investimentos substanciais. O plano prevê a concessão do trecho completo, que se estende por 1.973 quilômetros entre Corumbá (MS) e Mairinque (SP), além da possibilidade de segmentar a concessão em partes, incluindo a conexão entre Corumbá e Bauru (SP) ou a restrição ao trecho entre Corumbá e Três Lagoas (MS).
Rodrigo Perez destacou que o modelo atual oferece um subsídio federal para os trechos até Mairinque e Bauru, mas não inclui o percurso até Três Lagoas. Por isso, o Estado solicitou que a União considere um aporte financeiro para tornar os investimentos nesse segmento mais atrativos e competitivos. O novo projeto de concessão, finalizado em maio, prevê investimentos de aproximadamente R$ 29 bilhões ao longo do contrato, além de R$ 3,6 bilhões destinados a obras de infraestrutura do corredor ferroviário.
O secretário ressaltou que, embora a concessão seja de caráter federal, o Estado tem contribuído com sugestões baseadas na dinâmica do mercado. A revitalização do modal ferroviário é considerada uma das prioridades do governo do Estado, uma vez que há preocupação com a possibilidade de o leilão não despertar o interesse de investidores, dado que o setor requer altos níveis de investimento.
A viabilidade do trecho entre Corumbá e Porto Esperança é vista com bons olhos, especialmente devido ao uso intenso por mineradoras, além da conexão com o transporte fluvial pelo Rio Paraguai, que é essencial para a exportação de minérios. A continuidade da gestão da ferrovia é garantida pela Rumo, que firmou um contrato de 30 anos, o qual foi prorrogado por mais 180 dias após o vencimento em 30 de junho. Durante esse período, a empresa poderá contabilizar R$ 5,9 milhões em créditos referentes a serviços de manutenção e vigilância da ferrovia.
A Rumo permanece responsável pela gestão de 31 postos de vigilância entre Mato Grosso do Sul e São Paulo, executando serviços de monitoramento dos trilhos por satélite, limpeza e apoio às fiscalizações realizadas pela ANTT e pelo DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes).




