O ministro Luiz Fux será o novo presidente da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), cargo que assumirá em agosto, após o recesso do Judiciário. Fux substitui o ministro Gilmar Mendes e assumirá a liderança em um momento marcado por controvérsias em torno do caso Master.
A transição ocorre em meio a críticas feitas por Gilmar Mendes sobre a condução das investigações realizadas pelo relator da Operação Compliance Zero, o ministro André Mendonça. Mendes comparou os métodos utilizados na investigação a "tristes reminiscências" da Operação Lava Jato, levantando questionamentos sobre a legitimidade das prisões preventivas relacionadas ao caso.
Recentemente, no dia 16, Mendes incluiu de forma inesperada na pauta do STF a discussão sobre a soltura de Henrique e Felipe Vorcaro, que são pai e primo do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do banco Master. Em resposta, Mendonça decidiu retirar o sigilo de duas investigações que envolvem os Vorcaro e as supostas fraudes bilionárias associadas ao banco.
Mendonça argumentou que as informações coletadas pela Polícia Federal (PF) eram relevantes e deveriam ser tornadas públicas para que a sociedade pudesse compreender a gravidade da situação em relação à prisão preventiva do pai de Daniel Vorcaro. No entanto, na semana seguinte, o relator restabeleceu o segredo de justiça para proteger a investigação em andamento.
Durante a sessão em que a Segunda Turma avaliou a prisão preventiva de Henrique e Felipe Vorcaro, divergências se acentuaram entre os ministros. Gilmar Mendes, que havia pedido vista do processo em maio, defendeu uma flexibilização das medidas cautelares, propondo prisão domiciliar para Henrique e a soltura de Felipe. Contudo, a maioria dos ministros decidiu manter os réus sob custódia, resultando em uma votação de 3 a 1.
Gilmar Mendes argumentou que a prisão preventiva poderia ser utilizada como uma forma de pressionar os réus a firmar acordos de delação premiada, afirmando que acordos feitos sob pressão comprometem a voluntariedade necessária para qualquer colaboração. Por sua vez, Mendonça alertou sobre os indícios de ações violentas por parte de um grupo ligado a Daniel Vorcaro, enfatizando que o caso vai além de um crime de colarinho branco e possui características de máfia.




