O Japão enfrenta uma crise demográfica sem precedentes, tendo perdido 3 milhões de habitantes nos últimos cinco anos. Dados do censo de 2025 revelam que o país registrou uma queda de 2,5% em sua população total desde 2020, a maior redução em um intervalo de cinco anos desde que os levantamentos começaram, em 1899. Esta situação alarmante é impulsionada pelo fato de que o número de mortes tem superado o de nascimentos de forma crescente, com a queda no número de nascimentos alcançando um nível recorde.
A primeira-ministra Sanae Takaichi anunciou um pacote econômico de US$ 22,5 bilhões para incentivar as famílias a terem filhos. Este plano inclui o aumento dos auxílios financeiros mensais, assim como a ampliação das licenças maternidade e paternidade. Além disso, o governo pretende oferecer incentivos fiscais para a contratação de babás e reduzir os custos relacionados ao pré-natal. O objetivo é eliminar as barreiras financeiras que dificultam os jovens casais na decisão de aumentar a família.
Especialistas apontam que a questão não se relaciona apenas ao tamanho das famílias, mas também à tendência crescente entre os jovens de adiar o casamento ou optar por não se casar. Pesquisas indicam que muitos jovens japoneses não demonstram interesse em constituir família, resultando em um número anual de nascimentos que caiu para cerca de 700 mil, antecipando-se em quase duas décadas em relação às previsões anteriores do governo.
A crise demográfica é considerada o maior desafio de segurança do Japão, pois a diminuição da população em idade ativa dificulta o recrutamento de soldados para as Forças de Autodefesa. Essa situação impacta os planos do governo de aumentar os gastos militares e reforçar a defesa contra possíveis ameaças regionais, uma vez que a aquisição de equipamentos modernos, como mísseis e drones, não é suficiente sem a presença de pessoal qualificado para operá-los.
Apesar da necessidade de trabalhadores estrangeiros em setores como construção civil e cuidados com idosos, o governo japonês se mostra relutante em abrir permanentemente as fronteiras para a imigração. A premiê opta por vistos temporários ao invés de conceder residência definitiva, argumentando que a imigração em larga escala pode acarretar altos custos para os serviços públicos e prejudicar a coesão social. Como resultado, as regras para a concessão de residência permanente se tornaram mais rigorosas, refletindo a preocupação do governo com a integração social.




