O grupo Hamas comunicou nesta segunda-feira (6) a dissolução do órgão que governou a Faixa de Gaza por quase duas décadas, abrindo espaço para a gestão do território por um comitê de tecnocratas. Essa decisão marca uma mudança política significativa para o movimento islamista palestino, que chegou ao poder em 2007 após conflitos com o Fatah, partido do presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, que tem sua sede em Ramallah, na Cisjordânia ocupada.
Desde a implementação do cessar-fogo entre Israel e Hamas em outubro, o grupo expressou sua disposição para transferir o poder na Faixa de Gaza a uma nova liderança palestina. Contudo, existem questões complexas em debate, como o desarmamento do Hamas, que ainda não foram resolvidas. Mohammed al-Farr, chefe do comitê de emergência governamental, apresentou sua renúncia, conforme informado por Ismail al-Thawabta, responsável pela comunicação do governo do Hamas.
Al-Farr também decidiu dissolver o comitê para facilitar a transição administrativa e governamental ao Comitê Nacional para a Administração de Gaza (NCAG, na sigla em inglês). Este comitê, estabelecido no Cairo, foi criado pelo Conselho da Paz durante as negociações que levaram ao cessar-fogo entre Hamas e Israel, que ocorreu em outubro de 2025.
Diversos cenários foram discutidos desde então, mas a situação permanece em um impasse. Um dos principais pontos de discórdia é o desarmamento do Hamas, que somente consideraria essa possibilidade dentro de um contexto de iniciativa política palestina, uma posição que contrasta com a oposição de Israel. Hazem Qassem, porta-voz do Hamas, declarou que essa mudança é um passo para retirar da ocupação qualquer justificativa para a continuidade da agressão e da violência.
Um alto funcionário do Hamas, que preferiu não ser identificado, mencionou que a decisão foi comunicada a outras facções palestinas em uma reunião recente no Cairo, e que todas aprovaram a mudança. No entanto, especialistas consideram que a dissolução do comitê governamental é uma decisão principalmente simbólica, sendo o desarmamento a verdadeira barreira a ser superada.
A primeira fase do cessar-fogo possibilitou a liberação dos últimos reféns israelenses mantidos pelo Hamas, em troca de palestinos encarcerados por Israel. Contudo, a transição para a segunda fase, que deveria incluir o desarmamento do Hamas e a retirada gradual das forças israelenses da Faixa de Gaza, está estagnada há meses, enquanto Israel intensifica sua presença na região.




