Duas lideranças do Comando Vermelho (CV) foram transferidas da Penitenciária Central de Cuiabá, em Mato Grosso, para a Penitenciária Federal de Mossoró, no Rio Grande do Norte. Os presos Bruno Rafael da Conceição e Bruno Jorge da Silva são investigados como mandantes de pelo menos três ataques ocorridos recentemente em Três Lagoas, em meio a uma intensa disputa entre facções criminosas.
As investigações revelaram que, mesmo encarcerados, os dois continuavam a exercer funções de comando, ordenando ações contra membros do Primeiro Comando da Capital (PCC). A Polícia Civil identificou que eles mantinham influência sobre criminosos em liberdade, recebendo informações e transmitindo ordens relacionadas aos ataques. A sequência de atentados em apenas três dias despertou a atenção das autoridades, levando a polícia a investigar a origem das ordens que partiam da penitenciária de Cuiabá.
A situação de violência em Mato Grosso do Sul se agrava, com 94 mortes registradas em confrontos com a polícia apenas neste ano. A maior parte desses casos recentes é atribuída à guerra entre facções. Com base nas evidências coletadas, a Polícia Civil solicitou a inclusão dos presos no Sistema Penitenciário Federal (SPF). O pedido obteve apoio do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) e foi autorizado pela Justiça Federal.
A Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) destacou que a decisão foi motivada pela alta periculosidade dos investigados e pela capacidade de continuarem a interferir nas atividades do CV, mesmo dentro do sistema prisional. A Justiça avaliou que a custódia em Mato Grosso não era suficiente para interromper a atuação criminosa dos presos.
Esta transferência marca um momento significativo, pois é a primeira vez que um pedido do Governo de Mato Grosso do Sul resulta na transferência direta de presos para uma Penitenciária Federal, vindo de um sistema penitenciário estadual. A Sejusp manifestou a intenção de adotar essa abordagem em situações semelhantes no futuro, buscando sempre que haja indícios de que integrantes de organizações criminosas estejam orquestrando ataques e homicídios, mesmo estando encarcerados em outro estado.




