O integrante do escritório político do Hamas, Ghazi Hamad, anunciou nesta sexta-feira (31) que o grupo terrorista firmou um entendimento com o Conselho da Paz, liderado pelo presidente americano Donald Trump, para realizar o desarmamento. No entanto, Hamad condicionou a entrega das armas a uma série de compromissos que devem ser cumpridos por Israel.
"O acordo é um pacote", declarou Hamad em entrevista à emissora CNN. Ele enfatizou que as ações relacionadas ao desarmamento não serão iniciadas até que Israel implemente as condições acordadas. Caso contrário, o Hamas não dará continuidade ao processo. O anúncio do acordo foi feito por Trump em um post na rede social Truth Social, onde ele afirmou que, com a conclusão do desarmamento, as forças israelenses se retirariam e uma Força Internacional de Estabilização colaboraria com uma nova força policial palestina para garantir a segurança na Faixa de Gaza.
Entre as condições exigidas pelo Hamas, estão a cessação do fogo, a interrupção das operações de "eliminação" seletiva em Gaza, a retirada das tropas israelenses além da Linha Amarela, que representa cerca de 50% do território do enclave, e a facilitação de um fluxo maior de ajuda humanitária. Hamad mencionou que esses compromissos estão alinhados com o acordo de cessar-fogo estabelecido em outubro de 2022.
Além disso, o Comitê Nacional para a Administração de Gaza (NCAG) deverá assumir a governança do enclave para gerenciar a entrega das armas da força policial do Hamas. O alto funcionário esclareceu que o armamento pesado do grupo não será desativado, mas ficará armazenado sob a supervisão do NCAG.
O ceticismo de Hamad sobre a disposição de Israel em cumprir com as obrigações acordadas foi evidente. Ele destacou a experiência negativa anterior, onde Israel não respeitou o acordo, resultando em centenas ou milhares de violações. Hamad expressou a expectativa de que os garantidores, como os Estados Unidos, assegurem que Israel honrará todos os pontos do novo acordo.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, ainda não se manifestou sobre o acordo, mas um funcionário de seu governo afirmou que as tropas israelenses não se retirarão antes do desarmamento do Hamas. Por outro lado, o ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir, rejeitou o entendimento, argumentando que a proposta do Conselho da Paz não é aceitável para Israel. Ele declarou que após o ataque de 7 de outubro de 2023, o sangue de cada membro do Hamas é responsabilidade da própria organização, e comprometer-se a interromper as operações contra eles seria permitir que o grupo se reorganizasse para futuros ataques.




