Fernando Cerimedo, ex-assessor do partido A Liberdade Avança, do presidente Javier Milei, fez sua primeira declaração nesta quinta-feira (20) em relação a uma acusação de tentativa de assassinato contra sua ex-companheira, Nadia Beller. Cerimedo está preso na Bolívia, suspeito de ser o mandante do crime. Ele foi detido no aeroporto de Viru Viru ao chegar a Santa Cruz de La Sierra, vindo de La Paz, na terça-feira (18).
Durante sua passagem pelo Palácio da Justiça de Santa Cruz de La Sierra, Cerimedo foi abordado por jornalistas enquanto se dirigia a uma audiência sobre medidas cautelares, após a promotoria solicitar sua prisão preventiva. Embora não tenha verbalizado suas respostas, ele se manifestou com gestos, afirmando com a cabeça que acreditava que as acusações contra ele tinham motivação política. Ao ser indagado se havia solicitado que Beller fosse ao hotel onde ocorreu o ataque, ele negou.
A audiência marcada para a quinta-feira foi suspensa, pois Cerimedo e a promotoria não compareceram no horário estipulado. De acordo com a promotora Yolanda Aguilera, Cerimedo apresentou um problema de saúde a caminho da sala de audiências. Com isso, o procedimento foi remarcado para esta sexta-feira (21).
Beller, que sobreviveu ao ataque em que foi atingida por três tiros e está grávida de quatro semanas, é também estrategista política e afirmou ter sido vítima de violência doméstica anteriormente. Em declarações após o ataque, ela sugeriu que o crime poderia estar relacionado a supostas práticas de corrupção envolvendo autoridades e empresários bolivianos.
A defesa de Cerimedo, em um pronunciamento na quarta-feira (19), caracterizou o caso como um “espetáculo político” que visa desestabilizar o governo de Rodrigo Paz, ao mencionar o vínculo anterior de Beller com o Movimento ao Socialismo, partido do ex-presidente Evo Morales.
Em 2022, após as eleições presidenciais no Brasil, Cerimedo foi alvo de polêmica ao divulgar um vídeo no canal do portal La Derecha Diário, onde alegou que os modelos mais antigos de urna eletrônica, utilizados entre 2009 e 2015, favoreciam Luiz Inácio Lula da Silva em relação a Jair Bolsonaro, especialmente em estados do Nordeste. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) refutou as alegações apresentadas na ocasião.




