Neste domingo (28), Estados Unidos e Irã anunciaram a suspensão de novos ataques e a retomada das negociações diplomáticas, conforme informações de um alto funcionário do governo americano. A decisão ocorre após uma escalada de tensões no Golfo e no Estreito de Ormuz.
As partes devem se encontrar na terça-feira (30) em Doha, capital do Qatar, com o objetivo de discutir a segurança da passagem de navios comerciais pelo Estreito de Ormuz. Um oficial americano destacou que ambos os lados concordaram em interromper toda a "atividade cinética", termo militar que se refere a ações ofensivas.
O recuo temporário de Washington e Teerã ocorre em um contexto delicado, já que o cessar-fogo vigente, fruto de um memorando de entendimento, tem apenas 11 dias e enfrenta pressões devido a recentes ataques e ameaças do presidente americano, Donald Trump, que indicou a possibilidade de intensificar ações militares contra o Irã.
A atual crise foi desencadeada por interpretações conflitantes do memorando que visa iniciar negociações para encerrar o conflito. O principal ponto de discórdia diz respeito à segurança da navegação no Estreito de Ormuz, onde o Irã se comprometeu a garantir a passagem segura de embarcações em troca da suspensão do bloqueio a portos iranianos pelos Estados Unidos.
Durante as tratativas na Suíça na semana anterior, a delegação americana, liderada pelo vice-presidente J.D. Vance, concordou em estabelecer uma linha direta de comunicação entre os militares dos EUA e a Guarda Revolucionária Islâmica. Essa medida tinha como intuito coordernar o tráfego no Estreito de Ormuz e evitar novos incidentes, embora essa linha ainda não estivesse em operação.
A escalada recente começou com um ataque iraniano a um navio de carga no Estreito de Ormuz na quinta-feira (25). Desde então, ambos os países têm se acusado mutuamente de violar o cessar-fogo. No último domingo, o Irã lançou mísseis e drones contra bases militares americanas localizadas no Kuwait e no Bahrein, logo após Trump ameaçar o país com represálias caso não cumprisse o acordo de paz.




