O Pentágono está avaliando possíveis sanções para punir aliados que não apoiaram os Estados Unidos na recente guerra contra o Irã, conforme reportagem divulgada nesta sexta-feira (24). Um funcionário do governo americano revelou detalhes sobre um e-mail interno que expressa descontentamento com a recusa de alguns países em conceder direitos de acesso, base e sobrevoo, conhecidos como ABO, durante o conflito que atualmente encontra-se em um cessar-fogo.
Entre as alternativas que os EUA estão considerando, está a suspensão da Espanha da Otan. Embora essa medida teria um impacto limitado nas operações militares dos americanos, sua significância simbólica seria expressiva. Além disso, outra proposta que está sendo analisada envolve a reavaliação do suporte diplomático oferecido pelos Estados Unidos a antigas possessões imperiais europeias, como as Ilhas Malvinas, que permanecem sob controle britânico e são objeto de reivindicações por parte da Argentina.
Desde o início das hostilidades por parte dos EUA e de Israel contra o Irã, que começou em 28 de fevereiro, o Reino Unido hesitou em aceitar o uso de suas bases aéreas para ações ligadas ao conflito, permitindo inicialmente somente operações defensivas. Contudo, sob comando do premiê britânico Keir Starmer, foi autorizado o uso dessas bases para operações ofensivas.
A Espanha, governada pelo premiê socialista Pedro Sánchez, entretanto, decidiu fechar seu espaço aéreo para os voos norte-americanos que participam do conflito e não permitiu que suas bases aéreas em Rota e Morón fossem utilizadas por aviões dos Estados Unidos. Em resposta a esses atos, o presidente Donald Trump ameaçou restringir o comércio com a Espanha.
No último ano, após pressão de Trump, os países membros da Otan concordaram em investir, no mínimo, 5% do PIB em defesa até 2035. A única nação que não aceitou esse compromisso foi a Espanha, o que levou o ex-presidente americano a sugerir a sua expulsão da aliança militar. Trump não poupou críticas a seus aliados na Europa e até chegou a zombar do Reino Unido, afirmando que o país “sequer tem Marinha”.
Nesta sexta-feira, um representante da Otan informou à BBC que o tratado fundador da organização não contempla qualquer disposição que possibilite a suspensão ou expulsão de membros da Otan. Já o premiê Pedro Sánchez minimizou as informações veiculadas pela Reuters, afirmando que seu governo não opera com e-mails, mas sim com documentos oficiais e declarações públicas elaboradas pelos Estados Unidos.




