Willyan Paredes Gonçalves, empresário investigado por ser o líder de um esquema de contrabando de cigarros, ficou paraplégico após ser baleado em um ataque no Bairro Universitário, Em Campo Grande. A operação que resultou em sua prisão, intitulada Rota Clandestina, foi deflagrada pela Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal e Receita Federal na manhã de terça-feira (16). Durante as investigações, foi apurado que Willyan é o responsável por um esquema que movimentou mais de R$ 76 milhões.
A investigação levou à realização de 12 apreensões, totalizando mais de 1 milhão de maços de cigarros. Willyan já possui antecedentes criminais por receptação e, em abril de 2024, foi baleado enquanto caminhava pela Rua Dona Deolinda Pereira de Souza. O autor do atentado, Alesson de Oliveira Jara, de 35 anos, foi preso em Florianópolis (SC) um mês após o ocorrido. O ataque foi motivado por uma dívida de R$ 55 mil que Alesson tinha com Willyan, que foi identificado como agiota.
O crime ocorreu quando Willyan saía de casa para jogar o lixo. Alesson havia entregue três veículos como garantia da dívida, mas se irritou ao ser cobrado, culminando no ataque que o deixou paraplégico. Agora, Willyan está sob monitoramento por tornozeleira eletrônica enquanto as investigações sobre o contrabando prosseguem. Ele é proprietário de uma empresa de construções localizada no Bairro Coophavila II, com capital social de R$ 150 mil.
Na operação Rota Clandestina, foram cumpridos 14 mandados de busca e apreensão, além de 5 mandados de prisão preventiva e 5 ordens de monitoramento eletrônico. As ações foram ordenadas pela 3ª Vara Federal de Campo Grande e ocorreram simultaneamente na capital sul-mato-grossense e em Santa Luzia (MG). Um dos alvos Em Campo Grande foi a residência de outro empresário no Bairro Caiçara, que também está sendo investigado.
O contrabando de cigarros operava por rotas rurais e estradas de terra, evitando a fiscalização. Para reduzir riscos de apreensão, o transporte dos produtos era realizado em veículos de passeio. Os cigarros eram armazenados em depósitos clandestinos Em Campo Grande e, posteriormente, transferidos para caminhões para distribuição em larga escala a outros estados, utilizando notas fiscais falsas e empresas de fachada para enganar as autoridades.
O grupo também utilizava contas bancárias em nome de 'laranjas' para ocultar os verdadeiros beneficiários do esquema e, para evitar alertas automáticos, distribuía os valores arrecadados. Além disso, foram identificados canais informais e criptoativos como métodos de evasão de divisas e pagamento de fornecedores no exterior. A operação contou com um efetivo de 62 policiais federais, 17 policiais rodoviários federais, 7 auditores-fiscais e 15 analistas tributários da Receita Federal. Durante a ação, foram feitas apreensões de mercadorias, incluindo um jet ski.




