A Corregedoria do Detran-MS revelou a existência de um esquema envolvendo cerca de 2 mil fraudes na documentação de semirreboques. Um ofício datado de 23 de abril expôs que as irregularidades consistem principalmente em alterações nas características dos veículos, como a inclusão de terceiros ou quartos eixos, realizadas no sistema sem a presença física dos caminhões para vistoria em Mato Grosso do Sul.
As investigações apontam que as fraudes começaram a se intensificar a partir de 2022, com a inclusão de veículos de diversos estados na base de dados do Detran. Essas alterações incluem transferências, mudanças de dados e até trocas de propriedade, com alguns proprietários afirmando que seus veículos nunca estiveram no estado, o que gera suspeitas de inserção de informações fraudulentas.
O Detran-MS está buscando corroborar as irregularidades utilizando dados de circulação de veículos em plataformas nacionais, como o Córtex, que faz parte do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública. A intenção é demonstrar que, na data em que a vistoria foi registrada em Mato Grosso do Sul, o veículo se encontrava em outro estado, invalidando assim o procedimento de vistoria.
A inclusão de eixos extras nos caminhões pode aumentar a capacidade de carga, gerando um lucro maior no transporte. Contudo, realizar essas modificações sem a vistoria permite que um caminhão que não passou por controle técnico ganhe uma aparência de regularidade no papel. Além disso, isso pode facilitar a evasão de exigências legais e reduzir custos operacionais.
A investigação em andamento segue após um histórico de fraudes, como a Operação Frio, deflagrada em novembro de 2022, que revelou uma rede criminosa composta por servidores do Detran e despachantes que utilizavam endereços fictícios. A Polícia Civil identificou que essa organização movimentou aproximadamente R$ 17 milhões, resultando em apreensões de R$ 153,2 mil em dinheiro e R$ 307,7 mil em cheques.
Outra ação significativa foi a Operação Gravame, conduzida em junho de 2023, que investigou crimes de corrupção e falsidade ideológica. Essa operação também focou na inclusão fraudulenta do quarto eixo, envolvendo uma servidora e quatro despachantes que teriam recebido propinas para regularizar processos de transferência sem a presença dos veículos.



