Uma semana após a assinatura de um acordo preliminar entre Estados Unidos e Irã, um drone iraniano atacou um navio cargueiro que navegava pelo Estreito de Ormuz. O ataque, ocorrido em 25 de junho, não resultou em vítimas nem causou grandes danos, mas desencadeou uma série de ações e reações que reverteram o progresso feito em direção à paz entre os dois países, que já estavam em conflito há meses.
A escalada de tensões é visível à medida que cada ataque e represália minam as bases do acordo que, a essa altura, já parece ter desmoronado. As linhas vermelhas acordadas entre as partes foram ultrapassadas, e a possibilidade de um retorno a uma guerra em grande escala, que poderia desestabilizar ainda mais o Oriente Médio e impactar a economia global, se torna cada vez mais real.
O ataque ao navio ocorreu após advertências do Irã às embarcações que utilizavam uma rota alternativa pelo estreito, uma área que é vigiada pelas Forças Armadas dos Estados Unidos. O Irã já havia considerado a hidrovia como um importante instrumento de pressão em seu confronto com os EUA, especialmente após o ataque ocorrido em 28 de fevereiro, que deu início a um novo ciclo de hostilidades.
O acordo preliminar estabelecia a reabertura total do estreito, mas incluía uma cláusula que permitiria ao Irã administrar o tráfego marítimo, o que foi interpretado por Teerã como uma justificativa para controlar a área. Os Estados Unidos, por sua vez, contestam essa interpretação, defendendo que o estreito deve permanecer acessível a todos, sem taxas adicionais, como era antes do início do conflito.
A resposta americana não tardou a chegar. Em um ataque ao sul do Irã, os EUA derrubaram uma torre que supostamente era utilizada pela Guarda Revolucionária para vigilância marítima em um dos principais portos do país. De acordo com informações do governo iraniano, os ataques dos EUA resultaram na morte de pelo menos 46 pessoas e deixaram mais de 400 feridos desde o reinício das hostilidades.
A retórica belicosa do ex-presidente Donald Trump, que ameaçou reiteradamente atingir a infraestrutura civil iraniana, adiciona uma camada de complexidade ao cenário. Embora tenha recuado de algumas de suas ameaças, os líderes iranianos parecem acreditar que limites críticos foram cruzados. Recentemente, o Irã atacou uma usina de dessalinização de água no Kuwait, país que enfrenta sérias dificuldades hídricas.




