Um relatório divulgado nesta terça-feira (19) revelou que as forças armadas da China treinaram secretamente aproximadamente 200 militares russos no final do ano passado, com alguns deles já envolvidos no conflito na Ucrânia. As informações foram obtidas por meio de três agências de inteligência europeias e estão contidas em documentos acessados pela reportagem.
O treinamento secreto, segundo as apurações, concentrou-se principalmente no uso de drones, uma tecnologia crucial no atual cenário de combate. Essa colaboração foi formalizada por um acordo assinado por altos oficiais dos dois países em Pequim, no dia 2 de julho de 2025, que previa que os soldados russos fossem capacitados em instalações militares localizadas em cidades como Pequim e Nanjing.
Além do treinamento de militares russos, o acordo também estipula que centenas de soldados chineses receberiam instruções em bases militares na Rússia. Apesar das revelações, os ministérios da Defesa da Rússia e da China não se manifestaram sobre os pormenores do treinamento, embora Pequim tenha reafirmado sua posição de suposta neutralidade em relação ao conflito.
A relação entre os líderes dos dois países, Vladimir Putin e Xi Jinping, foi consolidada dias antes do início da invasão russa à Ucrânia, em fevereiro de 2022, quando anunciaram uma “parceria sem limites” durante os Jogos Olímpicos de Inverno de Pequim. Desde então, a China tem negado qualquer apoio direto à Rússia no conflito, enquanto se oferece como mediadora nas negociações de paz.
No entanto, o país asiático aumentou suas importações de petróleo e gás natural da Rússia, o que contribui para o esforço de guerra do Kremlin. Além disso, foi acusada pela Ucrânia de fornecer componentes essenciais para a indústria armamentista russa. Nesta terça-feira, Putin inicia uma visita de dois dias à China, poucos dias após a recepção de Xi ao presidente americano, Donald Trump.




