O carnaval de Salvador é reconhecido globalmente como a maior festa popular, destacando-se pela alegria e pela liberdade de corpos em movimento. Porém, essa imagem esconde um lado invisível: os trabalhadores informais, principalmente ambulantes, que atuam nas ruas sob condições precárias, sem acesso a água potável, descanso ou higiene adequados.
A transformação da festa em um evento comercial reorganizou o espaço urbano, convertendo áreas públicas em circuitos privatizados e controlados. O que antes era fluxo livre e pertencimento coletivo se tornou uma experiência segmentada, com territórios exclusivos para elites e locais de escassez, onde os riscos são constantes e os direitos quase não existem.
Essa divisão espacial reflete a lógica urbana da cidade, marcada por desigualdades raciais e de classe. Os blocos afro, como o Ilê Aiyê, surgem como formas de resistência, ocupando a rua com identidade negra e desafiando a invisibilidade imposta por um urbanismo que exclui grupos marginalizados.
Os ambulantes, responsáveis pelo funcionamento contínuo da festa, carregam peso excessivo e enfrentam violência, expondo as contradições de um carnaval que, na prática, é planejado para hierarquizar e explorar.




