O Ministério das Relações Exteriores do Brasil, conhecido como Itamaraty, convocou a encarregada da embaixada de Israel em Brasília, Rasha Athamni, para prestar esclarecimentos a respeito de um vídeo controverso que ela divulgou nas redes sociais. Na gravação, ativistas aparecem com as mãos amarradas e as testas apoiadas no chão, incluindo quatro cidadãos brasileiros.
A situação chamou a atenção após a abordagem das forças de segurança do governo de Tel Aviv a uma flotilha que supostamente tinha como objetivo transportar ajuda humanitária e ativistas em direção à Faixa de Gaza. Esta embarcação foi interceptada no Mar Mediterrâneo. O vídeo que gerou o mal-estar diplomático foi produzido pelo ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, e gerou uma onda de críticas, incluindo a adesão do governo brasileiro, que tradicionalmente apoia a causa palestina.
Desde o ano passado, o Brasil não conta com uma representação diplomática oficial de Israel, após a saída de Daniel Zonshine do cargo e a não aprovação de seu sucessor pelo governo brasileiro. Em uma nota oficial, o Itamaraty descreveu como "degradante" o tratamento dado pelos agentes israelenses aos manifestantes. A convocação de um chefe de missão estrangeira para uma reprimenda é considerada uma das formas mais severas de expressar descontentamento entre nações.
Esta é a segunda vez que Rasha Athamni é chamada para prestar esclarecimentos sobre o tratamento dispensado por Israel aos integrantes da flotilha. A Gazeta do Povo entrou em contato com a embaixada de Israel e aguarda um retorno, mantendo o espaço aberto para manifestações.
O governo brasileiro expressou sua profunda preocupação ao deplorar o tratamento degradante e humilhante impingido por autoridades israelenses, em especial pelo Ministro da Segurança Interna, Itamar Ben-Gvir, aos participantes da Flotilha Global Sumud. O Brasil reafirma seu repúdio à interceptação das embarcações em águas internacionais e à detenção de seus participantes, ações consideradas ilegais.
O governo brasileiro demanda a libertação imediata de todos os ativistas detidos, incluindo os quatro cidadãos brasileiros, e exige pleno respeito a seus direitos e dignidade, em conformidade com os compromissos internacionais assumidos pelo Estado de Israel, como a Convenção contra a Tortura e Outros Tratamentos ou Penas Cruéis, Desumanos ou Degradantes.




