Um estudo recente revelou que a expansão dos investimentos e da produção de minerais críticos no Brasil pode contribuir com R$ 192,1 bilhões ao Produto Interno Bruto (PIB) até 2050. A pesquisa, realizada pela Amcham, também aponta a possibilidade de geração de 750 mil novas vagas de trabalho durante esse período.
Esse cenário otimista considera uma ampliação significativa na produção mineral, com a atração de recursos tanto nacionais quanto estrangeiros, além da utilização de insumos em cadeias industriais já estabelecidas no país. Entre as áreas que se beneficiariam estão a fabricação de baterias, veículos, motores elétricos e turbinas eólicas, além da continuação da exportação dos minerais.
No contexto apresentado, o consumo das famílias teria um impacto adicional de R$ 54,6 bilhões, enquanto os investimentos poderiam crescer em R$ 120,9 bilhões. As exportações, por sua vez, estariam projetadas para aumentar em R$ 27 bilhões até 2050. Esses números representam impactos acumulados e não o montante total a ser investido nos projetos, refletindo a diferença em relação ao que a economia teria caso não houvesse a expansão da cadeia mineral prevista.
O estudo também compara essa projeção a um cenário em que a mineração se concentraria exclusivamente na extração e exportação, financiada apenas por recursos internos. Nesse caso, o impacto sobre o PIB seria de R$ 128,7 bilhões, com a criação de cerca de 304 mil empregos. A diferença entre os dois cenários, identificada como “efeito de adensamento”, alcançaria R$ 63,4 bilhões em termos de PIB e 446 mil ocupações, evidenciando a importância de uma maior participação das indústrias nacionais nas cadeias minerais.
Os resultados indicam que utilizar esses minerais como insumos produtivos no Brasil gera efeitos econômicos mais significativos do que uma estratégia baseada apenas na extração e exportação de commodities. O setor que apresentaria o maior crescimento seria o de fabricação de máquinas e equipamentos elétricos, com uma expectativa de aumento de 16,7% no cenário de maior industrialização. A produção de automóveis teria uma elevação de 5,5%, enquanto a de máquinas e equipamentos mecânicos cresceria 2,9%. No total, a indústria de transformação teria uma expansão acumulada de 1,82%, quase três vezes mais do que o impacto de 0,64% previsto no cenário focado na exportação.
Além disso, o levantamento identificou investimentos programados de US$ 20,5 bilhões entre 2026 e 2030 em projetos relacionados a minerais críticos no Brasil. A maior parte desse montante, cerca de US$ 8,62 bilhões, está alocada para projetos de cobre no Pará e na Bahia. O níquel aparece em seguida, com investimentos de US$ 4,74 bilhões no Pará e em Goiás, enquanto os projetos voltados para terras raras somam US$ 2,39 bilhões em Goiás e Minas Gerais.




