Um tribunal na Síria proferiu, nesta terça-feira (11), a condenação à morte do ex-presidente Bashar al-Assad. Esta decisão foi tomada em um julgamento realizado à revelia, onde Assad foi considerado culpado por diversos crimes, incluindo assassinatos, tortura e prisões arbitrárias, todos ocorridos durante a guerra civil que se estende por quase 14 anos.
Esta marca histórica representa a primeira condenação formal contra Assad, que perdeu o poder em dezembro de 2024, após uma ofensiva de forças rebeldes que culminou em seu afastamento e no fim de um regime que se manteve no controle da Síria por décadas. O conflito resultou na morte de centenas de milhares de sírios e provocou uma crise humanitária sem precedentes.
Após a queda de seu governo, Assad fugiu de Damasco, à medida que os combatentes rebeldes se aproximavam da capital. Atualmente, ele reside em Moscou, longe do território que governou com mão de ferro. O tribunal também condenou Atef Najib, um ex-alto funcionário da segurança ligado a Assad, à mesma pena.
Bashar al-Assad, nascido em 1965, assumiu a presidência em 2000, sucedendo seu pai, Hafez al-Assad. Durante seu governo, ele perpetuou a hegemonia da família Alauíta em um país com uma população majoritariamente sunita, além de manter a Síria como aliada do Irã e antagonista de Israel e dos EUA.
O governo de Assad foi fortemente influenciado pelos eventos da Guerra do Iraque e pela crise no Líbano, e sua administração se tornou sinônimo de repressão durante a guerra civil que eclodiu a partir da Primavera Árabe em 2011. Naquele momento, manifestantes sírios que clamavam por reformas democráticas enfrentaram uma violenta repressão que resultou em milhares de mortes e no agravamento do conflito no país.




