Um tribunal na Síria proferiu, nesta terça-feira (11), uma sentença de morte à revelia contra o ex-ditador Bashar al Assad, reconhecendo sua culpabilidade em diversos crimes, entre eles, crimes contra a humanidade. Esta decisão marca a primeira condenação pública do líder que governou a Síria com mão de ferro por mais de duas décadas.
Após ser derrubado em uma ofensiva rápida de rebeldes sírios em dezembro de 2024, Assad, sua família e ex-integrantes do seu regime se exilaram na Rússia. Essa mudança de regime encerrou um período de mais de 50 anos de ditadura da família Assad no país.
Na leitura da sentença, realizada pelo juiz Fakhr al Din Al Uryan, também foram condenadas à morte mais oito pessoas, incluindo Maher al Assad, irmão do ex-ditador, e Atef Najib, primo de Assad, que foi o único presente durante a sessão. A condenação ocorreu em meio a um forte esquema de segurança, enquanto uma multidão se reunia do lado de fora do tribunal em Damasco para ouvir o veredito.
O juiz afirmou que a participação de Bashar al Assad nos crimes foi de máxima responsabilidade, mobilizando as instituições estatais para a prática de atos criminosos. A corte declarou Assad culpado de assassinato premeditado e intencional de várias pessoas, incluindo crianças, além de tortura, detenção arbitrária e crimes contra a humanidade.
Atef Najib, que chefiou a Segurança Política em Daraa, local onde as revoltas populares tiveram início em 2011, também foi considerado culpado por crimes contra a humanidade. O juiz destacou que os depoimentos de testemunhas evidenciaram a participação de Najib em interrogatórios de detidos após o início dos protestos em Daraa, onde forças de segurança invadiram a mesquita Omari, um dos principais centros das manifestações, resultando em dezenas de mortes de manifestantes.




