Lenir Ximenes, enfermeira aposentada de 74 anos, viajou de Fortaleza (CE) para Campo Grande (MS) com o objetivo de apoiar seu neto Vitor Ximenes, de 30 anos, na recuperação de uma mastectomia masculinizadora realizada no início de julho. A avó dedicou 15 dias para estar ao lado de Vitor durante esse período delicado de adaptação à sua nova identidade de gênero.
Vitor, que se reconhece como homem trans desde os 17 anos, revelou que levou mais de uma década para se sentir à vontade para compartilhar sua verdade com a família. Ele afirmou que a conversa sobre sua identidade ocorreu apenas no início deste ano e que, ao contrário do que esperava, a reação dos familiares foi de aceitação. "A família já parecia saber quem eu era", comentou, ressaltando que o apoio de sua mãe e outros parentes foi fundamental, inclusive na arrecadação de recursos para a cirurgia.
A mastectomia masculinizadora, também conhecida como redesignação torácica, envolve a remoção do tecido mamário e a remodelação do tórax, criando um contorno que se alinha à identidade do paciente. Este procedimento é frequentemente realizado como parte da afirmação de gênero para homens trans. Vitor participou do mutirão Transformando Histórias, promovido pela Defensoria Pública de Mato Grosso do Sul, onde iniciou os trâmites para a alteração oficial de seus documentos, estando sempre acompanhado por Lenir.
A avó reconhece que precisou de um tempo para compreender a transição do neto, mas decidiu demonstrar seu apoio da maneira que considera mais significativa: estando presente. "Antes eu fiquei triste. Com o tempo, a gente vai se acostumando com a ideia. Entendemos que isso já vem desde o nascimento", declarou Lenir, que expressa preocupação com o tratamento que pessoas trans recebem na sociedade, especialmente agora que Vitor está iniciando sua residência em enfermagem.
Apesar da dificuldade em ajustar-se a novos pronomes, Vitor demonstra paciência e compreensão em relação ao processo de adaptação de sua família. "A questão dos pronomes vai com o tempo. Para mim, isso é muito tranquilo", afirmou, ressaltando que o importante é contar com o apoio dos familiares. Ele foi um dos 51 participantes que completaram o envio de documentos durante a ação da Defensoria Pública, realizada no Centro da Capital, e agora aguarda a emissão de sua nova certidão de nascimento.
A Defensoria Pública informa que cerca de 300 pessoas já tiveram o registro civil retificado por meio de iniciativas semelhantes, com aproximadamente 150 dessas ações ocorrendo no interior do Estado em 2025. Com os atendimentos realizados no último sábado, o total de beneficiados deve alcançar cerca de 350 pessoas.




