O ministro das Relações Exteriores da Argentina, Pablo Quirno, declarou nesta quarta-feira (29) que a administração de Javier Milei considera inadequadas as ações do governo brasileiro liderado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT). No entanto, Quirno enfatizou que não existem chances de um rompimento nas relações diplomáticas entre Brasília e Buenos Aires, mesmo diante das tensões entre os dois líderes.
Durante uma entrevista à Radio Mitre, o chanceler argentino afirmou que "a Argentina não eleva nem elevou este tema ao nível institucional". Ele explicou que a separação entre o discurso político e o institucional é fundamental, ressaltando que a Argentina não responderá às críticas feitas por Lula e seus colaboradores. "Estamos em uma disputa eleitoral, onde cada um deseja um resultado distinto", comentou Quirno.
As tensões aumentaram após Milei, durante a convenção do Partido Liberal (PL) em São Paulo no último sábado (25), ter feito declarações polêmicas. Ele se referiu ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, como "lixo careca" e criticou a sua negativa em permitir uma visita a Jair Bolsonaro. Além disso, Milei chamou Lula de "ladrão" e "presidiário", acusando-o de promover o socialismo na América Latina.
Em resposta a essas declarações, o Itamaraty convocou o embaixador brasileiro em Buenos Aires, Julio Bitelli, para consultas e solicitou explicações ao embaixador argentino em Brasília, Daniel Raimondi. Milei, por sua vez, alegou que Lula estaria por trás de uma campanha "anti-Argentina".
Questionado sobre comentários do vice-presidente brasileiro, Geraldo Alckmin, que afirmou que Milei fez um "desserviço ao seu próprio país", Quirno respondeu que tais declarações são apenas "juízos de valor". O chanceler reiterou que, na perspectiva argentina, as ações de Lula não são apropriadas, mas respeitou a soberania do Brasil em suas decisões.
Sobre a possibilidade de um rompimento nas relações entre os dois países, Quirno afirmou que "não há nenhuma chance de que isso ocorra do nosso lado". Ele comentou sobre a convocação dos embaixadores e reafirmou que a Argentina não levará a questão ao plano institucional. "Deixamos a disputa eleitoral e as diferenças políticas nesse campo", garantiu.




