A ditadura chavista da Venezuela convocou nesta terça-feira (28) o embaixador do Irã em Caracas, Ali Chegini, para manifestar seu descontentamento em relação a declarações que foram rotuladas como "depreciativas e inapropriadas". O protesto ocorre em um contexto de tensões diplomáticas e foi motivado por comentários do ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, que, em um vídeo, afirmou que o Irã "não é a Venezuela" ao se referir a negociações com os Estados Unidos.
No comunicado oficial da chancelaria venezuelana, liderada por Delcy Rodríguez, não foram especificados quais declarações resultaram na convocação do embaixador, mas enfatizou a necessidade de respeito à dignidade e à soberania da República Bolivariana. O governo venezuelano exigiu o fim de comparações que possam prejudicar a integridade institucional do país.
"Hoje, o embaixador da República Islâmica do Irã na Venezuela foi convocado ao Ministério das Relações Exteriores venezuelano para entrega de uma nota de protesto referente às declarações depreciativas e inapropriadas feitas sobre as instituições e autoridades venezuelanas", informou a nota. Além disso, a chancelaria reiterou a importância de manter relações baseadas em respeito mútuo e igualdade soberana, princípios fundamentais do direito internacional.
Desde 1999, o chavismo tem se aproximado do Irã e do grupo terrorista libanês Hezbollah, estabelecendo uma parceria que, segundo um relatório de 2020 do Atlantic Council, inclui uma rede clandestina que fornece suporte em diversas áreas ao regime venezuelano. Essa relação tem sido alvo de críticas e ações por parte do governo dos Estados Unidos, que busca desmantelar essa aliança através de sanções e bloqueios.
A relação entre Venezuela e Irã tem se mostrado estratégica para o governo de Nicolás Maduro, especialmente diante das pressões internacionais. O governo de Donald Trump, antes de deixar o poder, intensificou os esforços para limitar a influência iraniana na América Latina, o que inclui bloqueios a embarcações transportando petróleo entre os dois países. Essa situação complexa tem gerado um cenário delicado para as relações internacionais na região e para a estabilidade do regime venezuelano.




