A avaliação do Palácio do Planalto sobre a postura de Javier Milei indica que o presidente argentino atua de maneira submissa a Donald Trump nas críticas direcionadas a Luiz Inácio Lula da Silva. A analista de política Isabel Mega mencionou que, segundo informações obtidas por fontes da diplomacia brasileira, há uma conexão entre a crise nas relações entre Brasil e Estados Unidos e o aumento das tensões com a Argentina.
Mega destacou que algumas fontes no Palácio do Planalto afirmaram que "o chefe de Milei seria Donald Trump". Ela enfatizou que, para o Brasil, há uma relação em que Milei está atendendo aos interesses da Casa Branca, intensificando a crise com o Brasil. A analista também comentou que o governo brasileiro planejava enviar novamente o embaixador Júlio Bitelli para Buenos Aires. No entanto, as fontes consultadas mostraram cautela quanto às condições necessárias para essa ação.
A analista explicou que a principal condição para o retorno do embaixador era a manutenção da trégua nas relações, afirmando que "em nenhum momento cravamos que o embaixador iria voltar". O retorno só ocorreria se a trégua fosse mantida, mas Milei continuou, dia após dia, a realizar ataques ao governo Lula.
Além disso, Mega observou que a atual crise tem uma forte relação com o calendário eleitoral brasileiro, já que faltam apenas dois meses para as eleições. As declarações de Milei contra o presidente Lula tiveram início durante a convenção do PL, onde estava presente Flávio Bolsonaro.
Na análise de Mega, Lula também estaria se beneficiando politicamente da situação, afirmando que "o mote da soberania é um dos pilares para a gente entender o que a campanha de Lula está pensando para usar isso a seu favor". Em resposta ao aprofundamento do conflito diplomático, o governo brasileiro decidiu rebaixar o nível das relações com Buenos Aires, mantendo-as apenas no nível de encarregado de negócios.
A embaixada continua operando normalmente, o que não interfere nas atividades diárias, mas representa uma importante simbologia na diplomacia, pois sinaliza um afastamento. Mega lembrou que, historicamente, Brasil e Argentina mantiveram relações próximas, mesmo em períodos de tensão, citando o exemplo do Brasil ter assumido temporariamente a embaixada argentina na Venezuela durante a crise venezuelana.




