As primárias do Partido Democrata nos Estados Unidos, realizadas nesta terça-feira (4), trazem à tona as ambições da ala radical da legenda, que busca conseguir vitórias significativas nas próximas eleições. O grupo Socialistas Democráticos da América (DSA) está propondo transformações profundas na estrutura política do país, incluindo a elaboração de uma nova Constituição e o fim do Senado. Essas propostas têm gerado apreensão entre os moderados e os republicanos à medida que se aproximam as eleições de novembro.
O plano do DSA, intitulado "Os trabalhadores merecem mais", visa realizar uma reforma abrangente nos Três Poderes. Entre as suas principais metas estão a criação de uma nova Constituição, a abolição do Senado e a ampliação da Câmara dos Representantes. Além disso, os socialistas sugerem substituir o cargo de presidente e a própria Suprema Corte por entidades que fiquem subordinadas ao Congresso, o que poderia comprometer a independência do Judiciário e do Executivo.
Na esfera econômica, o DSA planeja implementar uma jornada de trabalho reduzida de 32 horas semanais. O grupo também defende a estatização das principais corporações e indústrias essenciais, transformando-as em propriedade pública. Para viabilizar serviços públicos, a proposta inclui a criação de impostos severos sobre a riqueza das grandes empresas e dos indivíduos mais abastados dos Estados Unidos.
Outra diretriz do programa é a desmilitarização das forças policiais, além de acabar com as detenções e deportações realizadas pelo ICE, a agência de imigração americana. Os socialistas apoiam a anistia para todos os imigrantes, independentemente de seu status, e a eliminação de limites e cotas para a concessão de vistos, facilitando o acesso à cidadania para residentes permanentes.
Adicionalmente, o DSA propõe o fechamento de todas as bases militares dos EUA no exterior e o término da ajuda militar a Israel. O grupo é a favor do reconhecimento da Palestina e do fim das sanções econômicas impostas a países como Cuba, Venezuela e Irã. Recentemente, o Departamento de Estado destacou a associação do DSA ao regime cubano, afirmando que o grupo mantém um compromisso firme com a ortodoxia política da extrema esquerda.




