Aeris Energy, uma fabricante brasileira de pás para aerogeradores, entrou com um pedido na Justiça de São Paulo para suspender, por até 60 dias, as execuções e outras ações de cobrança relacionadas a suas dívidas, que estão sendo negociadas com seus principais credores financeiros. A informação, que circulava nos bastidores, foi confirmada pela empresa em um comunicado oficial. Essa medida ocorre em um momento delicado, logo após a divulgação de um prejuízo líquido de R$ 152 milhões no segundo trimestre de 2026.
Além da ação judicial, a Aeris também instaurou um procedimento de mediação no Centro de Mediação da Associação dos Advogados de São Paulo (CMAASP). O pedido de cautelar foi fundamentado no artigo 20-B da Lei de Recuperação Judicial e Falências e tramita em segredo de Justiça. Com essa medida, a Aeris busca um período de proteção para avançar nas negociações sem o risco de sofrer execuções ou constrições patrimoniais relacionadas aos créditos envolvidos.
A empresa está avaliando diversas alternativas para a reestruturação de suas finanças, incluindo a repactuação das condições e prazos das dívidas. O objetivo é ajustar sua estrutura de capital à capacidade de geração de caixa e às perspectivas de longo prazo do mercado.
Essa nova rodada de negociações ocorre mais de um ano após a companhia ter concluído um amplo processo de reperfilamento de seu passivo financeiro. Em maio de 2025, a Aeris havia informado que reestruturou cerca de 90% de suas dívidas, que incluíam compromissos com instituições como Banco do Brasil, Banco Votorantim e Santander, além de emissões de debêntures.
No comunicado, a Aeris destacou que a cautelar tem um caráter temporário e preparatório e assegurou que suas operações continuarão normalmente durante as negociações. A empresa afirmou que clientes, fornecedores, revendedores e parceiros essenciais não deverão ser afetados pelas medidas adotadas.
A crise no setor eólico, que se intensificou desde 2022, também impacta a Aeris. A empresa se junta a outras do setor que enfrentam dificuldades, como a catarinense WEG, que paralisou sua linha de montagem, e a alemã Nordex, que reduziu sua produção. Em 2023, a Siemens Gamesa suspendeu as operações de sua fábrica em Camaçari (BA) para readequar sua estrutura produtiva. Além disso, em 2022, a GE Renewable Energy anunciou a suspensão da produção de novas turbinas eólicas no Brasil, e a GE Vernova encerrou as atividades da fábrica de pás eólicas da LM Wind Power em Suape (PE) devido à queda na demanda na região.




