A ex-presidente do Chile, Michelle Bachelet, que conta com o apoio do governo brasileiro na sua candidatura ao comando da Organização das Nações Unidas (ONU), sofreu um revés significativo na segunda votação informal realizada pelo Conselho de Segurança nesta sexta-feira (21). Bachelet obteve apenas dois votos favoráveis entre os 15 membros do órgão, conforme informações de diplomatas divulgadas à imprensa internacional.
Na votação, a chilena recebeu dois votos na opção "encourage", que expressa apoio à candidatura, além de seis votos de "discourage", que se manifestaram contrários ao seu nome, e sete países que não se posicionaram. Na primeira votação, realizada em 30 de julho, os resultados foram mais favoráveis, com Bachelet recebendo seis votos positivos, cinco contrários e quatro sem opinião, evidenciando uma queda acentuada em seu apoio.
Esse resultado a mantém distante dos principais concorrentes ao cargo. A guianense Carolyn Rodrigues-Birkett liderou esta rodada com oito votos de apoio, enquanto Rebeca Grynspan, da Costa Rica, e Rafael Grossi, da Argentina, candidato apoiado pelo presidente Javier Milei, receberam sete votos cada.
Em março, o presidente Lula reafirmou o apoio do Brasil à ex-presidente chilena, mesmo após a retirada de apoio por parte do governo do Chile, agora sob a direção do conservador José Antonio Kast. Lula destacou a qualificação de Bachelet, ressaltando suas credenciais para se tornar a primeira mulher latino-americana à frente da ONU.
Esta votação foi a segunda consulta informal do Conselho de Segurança para avaliar o apoio aos candidatos. Nas votações, os membros classificam as candidaturas como "encourage", "discourage" ou "no opinion". Para um candidato ser recomendado à Assembleia Geral, é necessário obter pelo menos nove votos favoráveis, além de não haver veto dos cinco membros permanentes: Estados Unidos, China, Rússia, França e Reino Unido.
As consultas realizadas são não vinculativas, e novas votações deverão ocorrer até que um candidato consiga reunir o apoio necessário no Conselho de Segurança. O escolhido sucederá António Guterres, cujo segundo mandato se encerra em 31 de dezembro de 2026.




