O Conselho Permanente da Organização dos Estados Americanos (OEA) decidiu convocar uma reunião de emergência entre os Ministros das Relações Exteriores do continente, com o objetivo de discutir a crise política na Nicarágua. A decisão foi tomada após o anúncio do presidente Daniel Ortega sobre o fim das eleições, em um contexto de preocupações relacionadas à crescente repressão governamental contra a Igreja Católica.
A resolução, intitulada "Convocação de uma Reunião de Consulta de Ministros das Relações Exteriores para Considerar a Situação na Nicarágua", foi aprovada em 19 de agosto, contando com 29 votos a favor e apenas um contra, representado pelo Brasil, enquanto o México optou pela abstenção. É importante destacar que Haiti e Venezuela não participaram da votação.
A proposta para a reunião foi apresentada por Argentina, Panamá, Paraguai, Uruguai e Estados Unidos durante uma sessão especial do Conselho Permanente em 5 de agosto. Os Estados Unidos solicitaram que a reunião fosse realizada antes de 1º de setembro, data em que o regime de Ortega deve formalizar suas recentes reformas políticas, que incluem a suspensão de futuras eleições. Essa convocação representa uma das principais ferramentas de diplomacia da OEA, evidenciando a preocupação dos Estados membros com a deterioração da situação política na Nicarágua e suas implicações para os Direitos Humanos.
As tensões aumentaram após Ortega anunciar mudanças constitucionais que visam impedir que figuras da oposição possam assumir cargos de poder. Em outubro de 2023, o Conselho Permanente da OEA já havia aprovado uma resolução que rejeitava as medidas repressivas do governo da Nicarágua contra instituições educacionais e a Igreja Católica.
Rosa María Payá, comissária e relatora para a Nicarágua na Comissão Interamericana de Direitos Humanos, expressou sua preocupação durante a reunião do Conselho Permanente em 5 de agosto. Ela destacou as violações contínuas dos Direitos Humanos, que incluem detenções arbitrárias e desaparecimentos forçados de nicaraguenses. Payá, que tem uma forte ligação com a Igreja Católica, abordou a questão da perseguição religiosa no país, enfatizando a gravidade da situação.
"Estamos muito preocupados com a situação da perseguição à Igreja Católica na Nicarágua e a perseguição à fé em geral, e a prática e o exercício da fé", afirmou Payá. Ela, que é filha de Oswaldo Payá Sardiñas, um dissidente católico que fundou o Movimento Cristão de Libertação em 1988, falou sobre as dificuldades enfrentadas por aqueles que desejam expressar suas opiniões e praticar sua fé livremente, ressaltando a importância do respeito aos Direitos Humanos em qualquer sociedade.




