O novo presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella, entregou um extenso relatório de mais de 130 páginas ao Ministério Público, à Controladoria-Geral e à Procuradoria-Geral, intitulado "Livro da Verdade". O documento denuncia uma série de problemas na gestão do ex-presidente Gustavo Petro, que foi sucedido por Espriella no último dia 7.
O relatório, ao qual teve acesso o jornal El Tiempo, detalha supostos casos de corrupção, ineficiências governamentais e um enfraquecimento do rigor técnico na administração pública. De acordo com o conteúdo, a gestão de Petro teria priorizado nomeações baseadas em relações de conveniência e dependência política, em detrimento do critério do mérito.
Entre os 23 casos de corrupção mencionados, o relatório destaca irregularidades na reforma do Hospital San Juan de Dios, em Bogotá, considerada uma obra prioritária pela gestão anterior. Além disso, o "Livro da Verdade" aponta falhas nas políticas de segurança pública, que resultaram na perda de controle territorial por grupos armados, enquanto as forças de segurança enfrentaram um déficit orçamentário de 14 bilhões de pesos colombianos, equivalente a R$ 23 milhões, dificultando até mesmo a manutenção de aeronaves.
A entrega do relatório aos órgãos de controle ocorre em um contexto de críticas à gestão de Espriella, especialmente em relação à resposta ao recente terremoto que atingiu a Colômbia. No último fim de semana, o presidente visitou a cidade de Buenaventura, onde distribuiu bolas de futebol com o logotipo de seu movimento, Defensores da Pátria. Essa ação gerou acusações de que o presidente estaria utilizando a tragédia para promoção pessoal.
Outro ponto de tensão para a nova administração foi a divulgação de imagens do ministro da Habitação, Jaime Beltrán, relaxando em uma praia enquanto o país lidava com as consequências do terremoto. Essa situação acirrou ainda mais as críticas à condução do governo diante de emergências nacionais.




