O ex-ministro da Defesa da Ucrânia, Mykhailo Fedorov, solicitou nesta terça-feira (18) que o país realize eleições, aumentando a pressão sobre o presidente Volodymyr Zelensky. As eleições presidenciais, que estavam previstas para março ou abril de 2024, foram suspensas em razão da Lei Marcial, imposta devido à guerra com a Rússia, o que impossibilita a realização de pleitos eleitorais.
Em um vídeo publicado no YouTube, Fedorov argumentou que "a democracia não pode ser feita refém da Rússia" e enfatizou a necessidade de encontrar um "mecanismo legal, seguro e realista" para que a Ucrânia possa retomar seu processo democrático, mesmo em um contexto de guerra prolongada. A declaração do ex-ministro ocorre em meio a uma crise política interna e crescente insatisfação popular.
Fedorov, que foi destituído do cargo em julho, foi alvo de críticas pela sua suposta incapacidade de trabalhar com o então comandante das Forças Armadas, Oleksandr Syrskyi. Recentemente, após protestos significativos, Syrskyi também foi afastado de sua função. Apesar de não ter declarado sua intenção de concorrer em uma futura eleição, pesquisas indicam que Fedorov poderia vencer Zelensky em um eventual segundo turno.
Durante seu pronunciamento, o ex-ministro destacou a existência de uma "crise sistêmica de governança" na Ucrânia e criticou o sistema político vigente, que, segundo ele, opera com suas próprias regras e resiste a mudanças.
Além disso, a pressão internacional por eleições na Ucrânia também tem crescido. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem insistido na realização de pleitos mesmo sob a Lei Marcial, e no ano passado, chegou a classificar Zelensky como um "ditador sem eleições". O regime de Vladimir Putin, por sua vez, não reconhece Zelensky como o líder legítimo da Ucrânia, utilizando essa justificativa para evitar negociações de cessar-fogo.
Em declarações feitas em dezembro, Zelensky mencionou a possibilidade de realizar eleições presidenciais em um prazo de 60 a 90 dias, desde que aliados internacionais garantissem a segurança necessária durante o processo eleitoral.




