Pesquisas realizadas na antiga cidade de Assur, localizada no atual Iraque, trouxeram à tona novas informações sobre a história da Assíria, revelando a existência de três reis que não estavam registrados na Lista de Reis Assírios. A análise de inscrições cuneiformes feita por Alexander Johannes Edmonds, da Universidade de Münster, e Eckart Frahm, da Universidade Yale, sugere uma revisão na cronologia e na forma como as sucessões reais foram documentadas.
De acordo com os autores do estudo, os três governantes ascenderam ao poder em Assur, mas foram derrotados ou depostos em um período relativamente curto. A pesquisa indica que, pelo menos, dois desses nomes foram parcialmente apagados dos registros históricos. Para Frahm, essa descoberta foi inesperada, já que não havia expectativa de encontrar novos governantes em um período que parecia bem documentado.
A Lista de Reis Assírios, conhecida como AKL, foi a principal referência por décadas para a reconstrução da sucessão dos governantes da Assíria. Esse documento, preservado em três cópias de tabuletas de argila, apresenta uma sequência de governantes que, à primeira vista, parece contínua e estável. No entanto, Edmonds e Frahm questionam a natureza dessa lista, argumentando que ela não é apenas um catálogo neutro, mas uma construção que privilegia a legitimidade de certos governantes.
Os pesquisadores afirmam que a AKL tende a apresentar uma versão idealizada da realeza assíria, excluindo instabilidades e conflitos que ocorreram durante os reinados. Embora referências aos três novos governantes tenham sido removidas da AKL, alguns indícios ainda permanecem em outros registros históricos.
Um dos casos mais documentados é o de um novo Tiglate-Pileser, cuja evidência está em uma tabuleta Rm 75, que menciona uma concessão de terras encontrada em Nínive. O texto, anteriormente atribuído a Adad-nārārī III, apresenta um Tiglate-Pileser, mas apresenta um problema cronológico: enquanto Adad-nārārī III faleceu em 783 a.C., a tabuleta é datada de 762 a.C.; o Tiglate-Pileser reconhecido na historiografia ascendeu ao trono apenas em 745 a.C.
A reinterpretação dos sinais danificados levou os pesquisadores a concluir que o documento poderia ter sido emitido em um contexto de disputa pela legitimidade real. A pesquisa não apenas adiciona três nomes à sucessão dos governantes, mas também sugere que a história da Assíria é marcada por conflitos internos, rebeliões e epidemias, em vez de uma sequência linear e estável de governantes.




