Uma nova investigação sobre o Santo Sudário revelou a presença de diversas linhagens de DNA humano, além de material genético de plantas, bactérias e fungos, acumulados ao longo de sua história. O estudo, publicado em julho na revista científica Scientific Reports, analisou amostras coletadas oficialmente do tecido em 1978.
Os cientistas empregaram técnicas modernas de genética forense para examinar as marcas biológicas presentes no Sudário, embora a pesquisa não tenha estabelecido a idade do tecido. Noemi Procopio, professora de Ciência Forense da Universidade de Lancashire, no Reino Unido, destacou que o Sudário funciona como um arquivo genético que se formou ao longo dos séculos devido às interações humanas e à exposição a diferentes ambientes.
Entre as linhagens de DNA mitocondrial humano identificadas estão K1a1b1a, H2a2, H1b e H33, cada uma com distribuições específicas em populações da Eurásia Ocidental e do Oriente Médio. Um achado significativo foi a linhagem K1a1b1a, que foi encontrada em três amostras e também no material genético de Pierluigi Baima Bollone, um dos responsáveis pela coleta do Sudário em 1978. A análise de parentesco sugere uma proximidade entre esses DNAs.
A pesquisa também apontou para os desafios da análise genética do Sudário, como a dificuldade em distinguir vestígios antigos de aqueles deixados por indivíduos que manusearam o tecido posteriormente. Os cientistas encontraram indícios de DNA moderno, o que evidencia o impacto do contato humano na identificação de uma possível assinatura genética original.
Além do DNA humano, a análise revelou um microbioma que inclui diversas bactérias, fungos e arqueias. Entre as bactérias, foram identificadas espécies frequentemente associadas a ambientes de alta salinidade, o que pode fornecer insights sobre as condições em que o Sudário foi conservado.
A pesquisa também contrapõe dados de estudos anteriores. Em 2026, foram levantados questionamentos sobre a homogeneidade das informações utilizadas em análises passadas e a necessidade de novos testes. Um estudo anterior, realizado em 2015, já havia identificado DNA humano e de plantas em amostras do tecido, mas a nova pesquisa adotou uma abordagem diferenciada através do sequenciamento metagenômico de nova geração, sem amplificação por PCR.




