Na última sexta-feira (7), o governo da Espanha, sob a liderança de Pedro Sánchez, solicitou à Itália que reconsiderasse sua decisão de restabelecer os controles na fronteira entre os dois países. A medida italiana, que entrou em vigor no dia 1º de agosto, foi uma resposta ao aumento significativo de imigrantes que chegaram a Ceuta, uma cidade espanhola localizada no norte da África, proveniente do Marrocos. O Executivo espanhol expressou preocupação com o impacto dessa decisão sobre a mobilidade de milhares de passageiros, especialmente durante a alta temporada de férias de verão.
Em um comunicado oficial, o governo espanhol caracterizou a ação da Itália como inusitada e sem precedentes na história recente, argumentando que foi tomada de forma unilateral e sem aviso prévio, utilizando justificativas que considera enganosas. De acordo com as autoridades espanholas, a decisão fere o Código de Fronteiras Schengen e não reflete a realidade dos imigrantes que entraram em Ceuta, que não têm permissão para acessar o espaço Schengen, devido ao regime especial da cidade.
Além disso, o governo espanhol ressaltou que a maioria dos imigrantes que chegaram a Ceuta já retornaram ao Marrocos, desafiando a narrativa italiana. A Espanha também destacou que a Itália lidera, segundo a Agência Europeia da Guarda de Fronteiras e Costeira (Frontex), o registro de travessias irregulares entre os Estados-membros da União Europeia (UE), com números que, em alguns casos, dobram os da Espanha.
Outro ponto levantado pelas autoridades espanholas é o não cumprimento, por parte da Itália, do Regulamento de Dublin, que estabelece que o primeiro país da UE onde um imigrante entra é responsável pelo seu pedido de asilo. Essa omissão, segundo o governo da Espanha, tem gerado pressão adicional sobre outros países do bloco desde 2022.
Em contrapartida, a Espanha afirmou que nunca impôs controles em relação à Itália e sempre demonstrou solidariedade, acolhendo parte dos imigrantes que desembarcaram em Lampedusa em 2023 e abrindo seus portos para resgates no Mediterrâneo. Diante disso, o Executivo espanhol classifica a atitude italiana como injusta e discriminatória para a população espanhola, solicitando que a Itália finalize os controles e trate os cidadãos espanhóis de maneira equitativa em relação aos demais europeus.
O comunicado também estipula um prazo para a Itália se manifestar, indicando que, caso não haja uma retificação até o dia 9 de agosto, a Espanha se verá obrigada a tomar medidas proporcionais para a proteção dos interesses de seus cidadãos.




