Na quinta-feira, 6 de outubro, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que acredita ser viável que o Departamento de Justiça dos EUA apresente acusações criminais contra Anthony Fauci, ex-principal conselheiro médico do governo, por desacato ao Congresso. A declaração de Trump ocorreu após a Comissão de Segurança Interna e Assuntos Governamentais do Senado aprovar o envio de um relatório ao Departamento de Justiça recomendando a investigação e possível responsabilização do médico, que teve papel central na resposta à pandemia de Covid-19.
Trump foi questionado sobre a possibilidade de uma ação criminal contra Fauci e comparou a situação do médico às condenações de Steve Bannon e Peter Navarro, ex-assessores que enfrentaram prisão por desobedecer intimações do Congresso. O presidente citou o nome de Merrick Garland, chefe do Departamento de Justiça durante a administração do democrata Joe Biden, ao comentar sobre o processo contra os dois ex-assessores: "O Merrick Garland processou duas pessoas muito decentes e as mandou para a prisão".
Em sua declaração, Trump sugeriu que a conduta de Fauci poderia ser ainda mais grave do que os crimes pelos quais Bannon e Navarro foram investigados. Ele ressaltou que, ao observar tais ações, é natural questionar se Fauci deveria ser processado. Os dois ex-assessores foram considerados culpados por desacato ao Congresso após se recusarem a colaborar com a comissão da Câmara dos Deputados que investigou a invasão do Capitólio em 6 de janeiro de 2021, cumprindo penas de quatro meses de prisão.
O Comitê de Segurança Interna e Assuntos Governamentais do Senado aprovou a resolução que considera Fauci em desacato ao Congresso com uma votação apertada de oito a sete, refletindo a divisão partidária na comissão, onde os republicanos apoiaram a medida e os democratas se opuseram.
A origem do caso remonta a uma audiência realizada recentemente para avaliar a atuação de Fauci durante a pandemia, em particular as informações que ele forneceu sobre a origem do coronavírus. Os republicanos acusam Fauci de ter dado informações enganosas ao Congresso e ao público sobre questões como o financiamento de pesquisas e decisões durante a crise sanitária, enquanto o médico nega qualquer irregularidade.
É importante ressaltar que, antes de deixar o cargo, o presidente Joe Biden concedeu a Fauci um indulto preventivo para protegê-lo de possíveis investigações federais relacionadas à sua atuação entre 2014 e 2025. Esse perdão não implica que Fauci tenha cometido crimes, mas visa evitar que ele seja alvo de processos na nova administração.




