O presidente da Argentina, Javier Milei, autorizou a entrada de militares e navios da Marinha do Brasil no país para a realização de um exercício militar conjunto no Atlântico Sul. A decisão foi formalizada nesta quinta-feira (6) através do Decreto 717/2026, publicado no Diário Oficial argentino, e acontece em um momento de crescente tensão diplomática entre Milei e o presidente Lula.
O exercício, denominado Fraterno XXXIX, está programado para ocorrer entre os dias 10 e 24 de agosto nas bases navais de Puerto Belgrano e Mar del Plata, além de águas sob jurisdição argentina. A operação reúne unidades das Marinhas dos dois países e inclui treinamentos com navios de superfície, submarinos e aeronaves. Essa colaboração militar ocorre anualmente desde 1978, com o objetivo de preparar as forças para operações navais, aéreas e anfíbias de maneira coordenada.
O decreto estabelece que as manobras visam também aproximar os procedimentos de planejamento, comunicação e comando entre as duas Marinhas, promovendo a interoperabilidade. Essa habilidade permite que os militares e equipamentos de diferentes países atuem de forma integrada durante operações conjuntas.
O governo de Milei destacou que a participação argentina reforça a presença naval no Atlântico Sul, uma região considerada estratégica para o país. Além disso, a operação é vista como um compromisso com a segurança internacional e a estabilidade regional.
Durante o exercício, o Brasil deverá utilizar o submarino Humaitá, que foi incorporado à Marinha brasileira em 2024. Essa será a primeira operação internacional da embarcação em águas argentinas, conforme informações divulgadas pelo portal argentino Ámbito.
A realização deste exercício militar contrasta com a forte tensão política entre os governos de Milei e Lula. Recentemente, o Brasil decidiu retirar o embaixador Julio Bitelli de Buenos Aires e reduziu sua representação diplomática na Argentina ao nível de encarregado de negócios. Essa decisão foi tomada após Milei ter participado de um evento político em São Paulo para apoiar a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL), onde fez comentários negativos sobre Lula, chamando-o de “ladrão”, “corrupto” e “presidiário”.




