Há 250 anos, quando os Estados Unidos proclamaram sua independência, os católicos constituíam menos de 2% da população total. Durante o domínio britânico, essa minoria enfrentava severas restrições legais, que incluíam a proibição do voto, do culto público e até mesmo a execução de padres. O catolicismo conseguiu se manter em áreas como Maryland e Pensilvânia, onde começou a florescer apenas após a Constituição assegurar a liberdade religiosa.
A vida dos católicos nas colônias britânicas era marcada pela exclusão e pela discriminação. Em muitos locais, eles eram barrados de votar, de ocupar cargos públicos e de adquirir propriedades. O culto era frequentemente proibido em público, e a celebração da missa precisava ser feita de forma clandestina. Em Massachusetts, existiam leis que permitiam a condenação à morte de padres apenas por exercerem suas funções religiosas, embora as execuções fossem raras. Essas medidas visavam desestimular a imigração de fiéis para a América do Norte.
Ao contrário de outras colônias, a Pensilvânia, fundada por William Penn, um quaker defensor da tolerância religiosa, se destacou por ser um local mais acolhedor para os católicos dentro do império britânico. Foi na Filadélfia que a Igreja de São José Antigo foi erguida em 1733, tornando-se o único local onde a missa poderia ser celebrada legalmente na época. Para evitar conflitos com vizinhos anticatólicos, a igreja foi projetada para se assemelhar a uma casa comum, escondida em um pátio acessado por um beco.
Charles Carroll de Carrollton emergiu como uma figura central na história americana, sendo o único católico a assinar a Declaração de Independência em 1776, representando Maryland, o principal centro católico da época. Sua contribuição na fundação dos Estados Unidos ajudou a demonstrar o patriotismo da comunidade católica, que, apesar de sua pequena quantidade e da perseguição, apoiou a luta pela liberdade contra a Coroa Britânica.
Após a vitória na guerra de independência e a adoção da Declaração de Direitos, a situação dos católicos mudou drasticamente. O exercício livre da religião se tornou um direito constitucional. Em 1790, o presidente George Washington enviou uma carta ao arcebispo John Carroll, assegurando que os católicos teriam os mesmos direitos que os protestantes. Washington reconheceu o papel patriótico dos católicos durante a guerra e a importância do apoio da França, um país católico, para o sucesso da revolução americana.




