O ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, levantou questionamentos sobre a confiabilidade do sistema eleitoral do Brasil, apesar de afirmar que "confia muito" no processo. Durante uma coletiva de imprensa na Associação Paulista de Supermercados (APAS) na quinta-feira (23), ele reacendeu o debate sobre a transparência das urnas eletrônicas ao admitir a possibilidade de irregularidades e defender a impressão do voto para garantir a auditabilidade.
Ao ser indagado sobre a lisura das eleições, Zema sugeriu a adoção de um mecanismo de verificação física por amostragem, fazendo uma analogia entre fraudes eleitorais e pequenas cobranças indevidas em contas bancárias. Ele afirmou: "Pode ter fraude? Pode, mas nada que possa impactar o resultado de uma eleição. É igual a alguém que tem uma conta corrente e de vez em quando se desconta lá R$ 5, R$ 10. É fraude? É, mas não vai quebrar nem mudar a situação financeira de ninguém se tiver lá descontos dessa magnitude."
O pré-candidato também expressou desconfiança em relação aos mesários e à falta de checagem física, afirmando que o sistema atual abre espaço para desvios pontuais. Ele reforçou a necessidade do voto impresso, propondo: "Por que não pegar 5% das urnas, imprimir e depois conferir? Aí sanaria todas as dúvidas. […] Fraudes que não impactam a eleição. Em algum lugar alguém que não foi votar, um mesário mal-intencionado vota lá como se tivesse a pessoa comparecido. Um voto, dois a mais por um, provavelmente não vai ter muito impacto, como já houve no passado."
Outro ponto abordado por Zema durante a reunião com dirigentes do varejo foi o modelo de emprego no Brasil. Ele direcionou críticas às regras trabalhistas, especificamente ao modelo rígido da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). O político argumentou que a burocracia em Brasília limita a autonomia do cidadão e defendeu a regulamentação do trabalho pago por hora, comparando a liberdade de escolha no casamento com a falta de flexibilidade no emprego.
Zema explicou: "Pode fazer um contrato, pode fazer separação total de bens, pode fazer comunhão parcial de bens, comunhão total de bens… Na hora de casar, o brasileiro tem liberdade, faz opção. Na hora de trabalhar, não. Ou ele tem CLT ou não tem outra opção como em vários países do mundo tem. E o que eu quero é que o brasileiro tenha essa opção […] de trabalhar por hora. Como existe em todo país sério e civilizado."
Além disso, o pré-candidato criticou as atuais jornadas e escalas de trabalho, sugerindo que o próprio trabalhador deveria ser responsável por definir quantas horas deseja trabalhar por semana, sem interferência do governo. Zema declarou: "O brasileiro já tem maturidade para escolher se ele quer trabalhar 30, 40, 50, 55 horas por semana, dependendo do que ele ganha, da necessidade dele e da vida que ele quer levar. […] Qualquer país avançado hoje, o cidadão faz o seu horário de trabalho. E aqui nós criamos essa regra que antes era 48, depois 44, e agora o burocrata é que quer mudar. É como se lá em Brasília decidissem: ‘Todo mundo tem de casar de tal jeito’. E nós sabemos que não é isso que acontece."




