André Stuart representa quatro indivíduos detidos durante a operação: Ed Carlo Britto Burgatt, Joatan Gomes Peixoto, Matheus Oliveira Peixoto e Francisco Anízio dos Santos. Ed Carlo é servidor e ex-coordenador estadual de Regulação Assistencial da Secretaria de Estado de Saúde, enquanto Joatan é proprietário da Editora Avante, um dos alvos da investigação. O advogado ressaltou que ainda não foi possível baixar e analisar todo o conteúdo disponível nos autos, devido ao tamanho dos arquivos e à falta de acesso a documentos mencionados na investigação.
Durante uma análise preliminar, Stuart encontrou referências a operações anteriores, incluindo a Lama Asfáltica, que investigou desvios em contratos públicos em Mato Grosso do Sul. "O PIC menciona a Lama Asfáltica, e precisamos ter acesso a essas outras operações para poder formular nossa manifestação e entender os limites dessa ação", afirmou o advogado. Rossana Paroschi Jafar, outra presa na Operação Gutenberg, já havia sido alvo da quarta fase da Lama Asfáltica.
A Operação Gutenberg foi desencadeada na manhã de terça-feira (7) e resultou na execução de 16 mandados de prisão preventiva e 43 de busca e apreensão em várias cidades, incluindo Campo Grande, Dourados, São Gabriel do Oeste, Caarapó, Corguinho, Porto Murtinho, além de São Paulo e Abadiânia. O Gaeco investiga um suposto esquema que pode ter movimentado mais de R$ 27 milhões em contratos públicos para a aquisição de livros paradidáticos, com indícios de direcionamento nas contratações e uso indevido da inexigibilidade de licitação.
Entre 2022 e 2026, ao menos 12 prefeituras de Mato Grosso do Sul firmaram contratos com a Editora Avante, totalizando R$ 22,1 milhões, conforme levantamento realizado. A investigação também se estende à área da saúde pública, onde se apura se servidores influentes na regulação de consultas, exames, cirurgias e leitos hospitalares teriam utilizado essa posição para favorecer ou pressionar os municípios envolvidos nos contratos de livros em questão.




